Instituto Reritiba

Parati e Ubu: onde a história e a cultura se encontram com o turismo

Anchieta, ES — As comunidades de Parati e Ubú, no município de Anchieta, Espírito Santo, estão prestes a vivenciar um projeto inovador que visa beneficiar a atividade turística local, ao mesmo tempo em que resgata e valoriza suas ricas dinâmicas socioespaciais, culturais e identitárias. A iniciativa, que envolve a criação de pontos turísticos e a promoção da economia criativa, busca preservar o patrimônio histórico e cultural associado à vida de São José de Anchieta e à interação com os povos indígenas locais. A Dra. Maria José dos Santos Cunha, doutora em história e atual diretora do Instituto Reritiba, participou efetivamente do projeto, contribuindo para a sua concepção e desenvolvimento. Em suas palavras, “este trabalho transcende a mera promoção turística; ele é um pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável, pois integra a valorização da cultura local e a preservação do meio ambiente. Ao resgatar e celebrar as tradições caiçaras e a história de Anchieta, estamos não apenas enriquecendo a experiência dos visitantes, mas também fortalecendo a identidade comunitária e incentivando práticas que garantam a longevidade de nossos recursos naturais e culturais para as futuras gerações.”

O Resgate da história e da cultura local

O projeto se concentra em dois pontos de forte beleza natural e tradição cultural: a praia de Parati e a ponta da Biboca, em Ubu. A proposta é criar estátuas alusivas à história e à cultura intangível de ambas as comunidades, servindo como marcos visuais e narrativos para visitantes e moradores. Além disso, a iniciativa visa defender e preservar os traços da cultura local, promovendo a consciência sobre sua base comum e a necessidade de um compromisso solidário para sua valorização. A participação ativa de moradores de Ubú e Parati, como a Sra. Maria José S. Cunha, da Associação de Pescadores, demonstra o envolvimento direto da comunidade no desenvolvimento e na defesa de suas tradições.

Estátuas que contam histórias

Duas estátuas de tamanho natural estão previstas para serem instaladas em locais estratégicos.

  1. Canoa Indígena e Padre Anchieta (Ubu): Esta primeira estátua representará uma canoa tradicional indígena com quatro índios e o Padre José de Anchieta, regressando de uma pescaria milagrosa e exitosa. Os índios remam, enquanto Anchieta ocupa a popa, com a canoa transbordando de peixes. A localização planejada é na beira-mar da praia de Ubu, dentro da água, para interagir com as marés. A inspiração para esta obra inclui imagens de São Pedro Prainha e Matlim/Guarapari.
  2. Mulheres Preparando Paçoca de Banana (Parati): A segunda estátua retratará duas mulheres preparando paçoca de banana, uma iguaria típica da gastronomia local. A cena incluirá um fogão tradicional, dois cachos de banana, uma mulher no fogão e outra no pilão, socando a banana cozida. Esta obra será instalada em Parati e tem como inspiração o Monumento ao Trabalho do Café em Manhuaçu/MG e a Tropa de Tropeiros de Ibatiba/ES.
Parati e Ubu: onde a história e a cultura se encontram com o turismo

Economia criativa e preservação ambiental

O projeto vai além da instalação de estátuas, abrangendo ações de economia criativa e preservação. Serão realizadas as seguintes atividades:

  • Documentário: Um documentário de 30 a 40 minutos abordará a cultura caiçara, focando na pesca artesanal, construção de embarcações, artes e aparelhos de pesca. O objetivo é destacar os modos de vida tradicionais e a luta contra a pesca predatória, buscando oportunidades para regulamentar a atividade de pesca para turistas e não-registrados.
  • Formação em Gastronomia: Serão oferecidas formações sobre a Dieta Caiçara, com foco em preparos tradicionais e novas apresentações, valorizando os aspectos nutritivos dos ingredientes, dentro do conceito de economia criativa.
  • Formação em Artesanato: Cursos de artesanato com elementos locais serão promovidos, incentivando a economia criativa e a valorização dos recursos da região.

O projeto tem um cronograma de pré-produção e produção bem definido, com duração de 12 meses para organização e gerenciamento. A pesquisa para subsidiar as obras, elaboração de textos e seleção de imagens terá 5 meses, enquanto os projetos de implantação e paisagismo levarão 5 meses. A execução das imagens e a implantação no local estão previstas para 1 mês cada. Uma visita ao sítio da Biboca e à barra do rio Parati foi realizada em 15 de janeiro de 2024.

O objetivo geral é promover o acesso qualificado à cultura em um complexo natural e original, constituído por uma sequência não linear de imagens que representam personagens e fatos históricos relevantes para a cultura capixaba, em meio a praias e litoral de importância socioambiental nacional.

Com a implementação deste projeto, Parati e Ubú não apenas enriquecerão sua oferta turística, mas também fortalecerão a identidade cultural de suas comunidades. A iniciativa representa um passo significativo na preservação do patrimônio histórico e natural, ao mesmo tempo em que impulsiona a economia local através da valorização de suas tradições e saberes. A expectativa é que o projeto se torne um modelo de desenvolvimento sustentável, onde o turismo e a cultura caminham juntos para um futuro próspero e consciente.

Por Dhyovaine Nascimento