Instituto Reritiba

Maracaiaguaçu, O Gato Grande, aliás, Vasco Fernandes, ou o elogio do discurso evangelizador

Resumo: O artigo tem por objetivo destacar a figura pouco conhecida de Maracaiaguaçu, o chefe temiminó refugiado com a sua tribo, em 1555, na ilha de Santo António, através da versão dos jesuítasque o conheceram. Da leitura dos textos jesuíticos despontam, paralelamente, a figura deste chefe, as alianças políticas, a visão edificante da conquista espiritual, que justificava a evangelização, e permite-nos aceder ao espaço negocial entre conquistadores e indígenas, entremeado de mal entendidos e compromissos, cujo final era a integração dos indígenas no mundo colonial.

Palavras-chave: Espírito Santo; Índios; Jesuítas.

Abstract: The article aims to highlight, by means of the Jesuits who knew him, the little known character of Maracaiaguaçu, the temiminó refugee leader withhis tribe in 1555, on the island of Santo António.From the reading of the Jesuit texts there emerges, at the same time, the character of this leader, the political alliances and the uplifting revelation of the spiritual conquest which justified the evangelization and allows one to witness the trading space between conquerors and Indians intermingled with misunderstandings and commitments whose final objective was the integration of the indigenous people in the colonial world.Keywords: Espírito Santo; Indians; Jesuits.

A correspondência jesuítica brasileira do século XVI imerge-nos no mundo da representação que os membros da Companhia de Jesus faziam do ameríndio.Diferentedaimagem refinada pela literatura,o papel do índio na nascente sociedade colonialrevela-se distanciado da carga simbólica de que foi investidopelos românticos e modernistas dos séculos XIX e XX.Quando os colonizadores chegaram à capitania do Espírito Santo descobriram uma realidade dramaticamente contrastante da metrópole e distinta da queseconhecia doorienteouda que haviaregisto em terras africanas. O novo espaço incógnito,e por desbravar,era território de ameríndios, terra de perigos para os quais foi necessário encontrar soluçõespara as tentativas quase falhadas de colonização.A entrada dos inacianos na capitania traria novo discurso e olhar sobre o confronto entre o outro e os portugueses.O Brasil tem a primícia das missões jesuíticas no continente americano. Em 1549, na armada organizada com a finalidade de transportar os membros que vinham dar início ao Governo-Geralna colónia, chegaram os primeiros membros da Companhia de Jesus. A sua vinda para o Brasil culminava umarelação entre D. João III e os padres renovados que haviacomeçado antes mesmo da aprovação da Ordem a 27 de Setembro de1540 pelo PapaPaulo III com a Bula Regimini Militantis Ecclesiae. Com efeito, desde 1538 o monarca português tinhaconhecimentoda existência e da boa reputação do grupo de ex-alunos do colégio de Santa Bárbara, em Paris: “Eles sam todos sacerdotes e de muito exemplo e letrados e nom demandam nada”(PINHO, 2000, p. 301), escrevera Diogo de Gouveiaa D. João III. No cargo dereitor daquele colégio conhecera-ospessoalmentee seguira-lhes a trajetória até Itália sabendo que estes se haviam colocado ao serviço do papa como missionáriosna defesa e propagação da fé e proveito das almas na vida e nadoutrina cristãs. Com esta predisposiçãosugerira ao rei se apressasse a solicitar a sua ida para Portugal,antecipando-se, por essa via,aoutros monarcas que os desejassem para as tarefas de evangelização dos respetivos domínios, dado que aos reis católicos, por delegação papal, cabia essa tarefa.Tudo tratado deram entrada em Portugal doisdos elementos do grupo inicial, Simão Rodrigues e Francisco Xavier. Rápido fizeram sucesso entre os membros da Corte pela novidade das ideias reformistas, práticas devida e a formação filosófico-teológica, a par dos Exercícios Espirituais, tanto quese passou a discutira opçãodeosmanterem Portugal ao invés deosenviaremà Índia, talcomo acontecera em Itáliaonde o seu sucesso eragrande entre as elites.A Francisco Xavier coube a missão da Índia para a qual partiu a 7 de Abril de 1541, integrado na armada que levava o vice-rei D. Martinho de Sousa, enquanto Simão Rodrigues permaneceria em Portugal para organizar as primeiras casas da Companhia de Jesus a que se sucederam os colégios, mormenteo de Coimbra com os estudos menores e o do Espírito Santo, em Évora,no ano de 1551, depois integrado na universidade,fruto da colaboração entreo cardeal infante D. Henrique e a Companhia de Jesus,a pensar na formação dosjovensque pretendessem seguir a vida clerical ou daquelesjá nela integradose aberta a estudantes laicosque frequentavam, sobretudo, os cursos de Humanidades e Artes. Nas classes de Teologia e Filosofiaformaram-se destacados elementos que tiveram comodestino o clero diocesano e, entre os jesuítas, os das missões internas, do Oriente, do Norte de Áfricaedo Brasil.Formado nesta universidade e com passagens pelo Espírito Santo, destacou-se o padre Fernão Cardim, ministro do colégio de Évora, (CARDIM, 1939, p. 249). Primeirona qualidade de secretário do padre visitadorCristóvão de Gouveia, cuja missão teveinício no ano de 1583 e entre 1604 a1609 no cargo de Provincial. A ele pertencea informação da visita em 1585 às aldeias de São João e de Nossa Senhora da Conceição, ambas localizadas no atual município da Serra, a primeira na área correspondente ao bairro de Carapina e a segunda na sede do município, bem como detalhesdas atividades missionárias. Comprometido com a evangelização e testemunha da relação de forças entreameríndios e portuguesesnoutras capitanias da colónia brasileira, anotou Cardimhaver no Espírito Santo “mais gentio para converter que em nenhuma outra capitania” (1939, p. 301). Essa constatação fazia-se acompanhar da necessidade ecuidado em proteger os povos autóctones, procurando evitar-se a extinção destes provocada pelas guerras e pela captura.Aliás essa mesma preocupaçãoe denúncia era feita desde 1559 (NÓBREGA, 1988, p. 197).Prosseguir com as entradas a partir desta capitania e obter docapitão donatárioo apoio em favor dos indígenas contra os ataques praticados pelos portugueses, em especial para evitar a sua escravização (CARDIM, 1939, p. 249)era uma preocupação constante entre os elementos da Companhia de Jesus queoperavamno Espírito Santoe ganhara forma cerca de trinta anos antes com a chegada dos Temiminós chefiados por Maracaiaguaçu. Com efeito, as estratégias missionárias de evangelizaçãoeinculturação passavampela tolerância de alguns costumes ameríndios, excepto a poligamia, a antropofagiae afeitiçaria, tidos por antagónicos ao cristianismo1ea adopção temporária de ostumes ameríndios, com vista à transformação dos autóctonese, como tal, favoráveis à colonização do espaço.No ano de 1552o padre Manuel daNóbrega entregou ao padre Afonso Brás e ao irmãoSimão Gonçalves a abertura da primeira missão jesuítica no Espírito Santo tendo estes escolhidoa vila de Vitória para a sua instalação.No ano seguinte obtiveram de Duarte de Lemos umas terras nas quaisfizeram erguer as moradas da sua residênciaea igreja sob a invocação do apóstolo Santiago Maior(RODRIGUES, 1988, p. 58) além de terras para cultivo nos lados de Jucutuquora(ARSI, Bras. 11, fol. 475). Embora dirigidos maispara a cristianização dos habitantes naturais do Brasil, derivado da união íntima na pessoa do rei do dever de dirigir e incentivar a expansão do cristianismo em todos os territóriosultramarinos, na figura do padroado, a atuação dos jesuítas envolveu as comunidades portuguesase de escravos africanos, a par com o clero diocesano e o de outras ordens religiosas. No que àcapitania do Espírito Santodiz respeitocomeçaram por assumir o cuidado espiritual dos índiosescravizados, que viviam no contato direto com os colonizadores, e dos das aldeias livres ao redor das vilasdo Espírito Santo e de Nossa Senhora da Vitória e dos paroquianos portugueses que a habitavam. Na tentativa de reformar os hábitosforam criadas as Confrarias do Menino Jesus, dirigida à educação e formação demeninos eadolescentes, e da Caridade contra as blasfémias e juras (ANCHIETA, 1988, p. 47), cujas multas aplicadas aos infratores revertiama favor do dote das órfãs. O programa missionário institucional visava potenciar os fatores de penetração do cristianismo nosambientes socio familiares e culturais e passava pelo conhecimento dos catecúmenos, o cuidado dos mesmosea educação das crianças,dos adolescentes, em especial os filhos dos morubixabas. A aprendizagem da língua da região e a proximidade às pessoas eramdois requisitos primordiais para a compreensão dos neófitos (LA MISSION, 2005, p. 190), e tidos como facilitadores da cristianização do indivíduo no seu meio familiar e social. As práticas, retomando-se a questão do direito do padroado português, inseriam-se naquilo que os monarcas esperavam dos jesuítas e disso estavam eles bem cientes. Era o rei que os financiava e supria nas necessidades físicas, razão pela qual Nóbrega, em carta dirigida a D. João III, fala dos comportamentos e das atitudes pecaminosasde causar escândalo dos cristãos em solo brasileiro e procurava satisfazer ao rei, buscando-lhe a proteção “e ser cousa de que tanto proveito resultará á glória [de Jesus Cristo Nosso Senhor] e bem a todo o Reino e consolação a Vossa Alteza”(NÓBREGA, 1988, p. 126). Em inícios do ano de 1555 doisacontecimentosgeraramcomoção entre os habitantes das vilasdo Espírito Santo. A revelação deambos pertence ao padre Luís da Grã que,de passagem pelo Espírito Santo, aguardava na residência jesuítica de Vitória embarcação que o conduzisse a São Vicente e deles fez o relato. Durante a Quaresma, antes do dia 14 de Abril, houve um ataque de índios Tamoiosnas imediaçõesdas terras ocupadas pelos portugueses:

[…]até o tempo que eu aqui cheguei, onde se começou aguerra por que já dantes estavam esperando; porque, daí a sete ou oito dias, fizeram os tamoios um salto, em que levaram sete pessoas, ainda que nenhum era algum dosbrancos senão um moço mameluco (Novas cartas jesuíticas, 1940, p. 178).

E o outro,de implicações mais vastas,foi a chegada deTemiminós da Guanabara, liderados pelo morubixaba Maracaiaguaçu ou Gato Grande, conhecido aliado dos portuguesesnaquela região.Em determinada altura:

Maracaiaguaçu, que quer dizer Gato Grande, que é mui conhecido dos cristãos e mui temido entre os gentios e o mais aparentado entre eles. Este vivia no Rio de Janeiro e há muitos anos que tem guerra com os Tamoios, e, tendo dantes muitas vitórias deles, por derradeiro vieram-no pôr em tanto aperto, com cercas que puseram sobre a sua Aldeia e dos seus, que foi constrangido a mandar um filho seu, a esta capitania,a pedir que lhe mandassem embarcação pera se vir pelo aperto grande em que estava, porque ele e sua mulher e seus filhos e os mais dosseus se queriam fazer cristãos (Novas cartas jesuíticas,1940,p. 180).

Em termos estratégicos, a iniciativa do cacique Maracaiaguaçu procurava uma solução que invertesse a fragilidade na qual se encontrava. Na Guanabara desenhava-se-lhe a derrota. Para São Vicente estendiam-se os tupinambás inimigos, genericamente sob o nome de tamoios, e onde os portugueses começavam a ver as suas posições ameaçadas. A norte de Macaé até à fronteira sul do Espírito Santoera território dos Goitacazes, do grupo macro-jê e de feroz reputação. Ainda de acordo com acarta escritapelo padre Grã, Maracaiaguaçu haviaanteriormentepedido a aproximação aos portugueses na pessoa de Tomé de Sousa, provavelmente numa das ocasiões em que este fundeara na baía da Guanabara (Novas Cartas Jesuíticas, 1940, p.180). A opção natural vislumbrou-a com os portugueses da donataria do Espírito Santo. Começava a configurava-se, assim, o duplo sistema de alianças entre os indígenas, os portugueses e os franceses no litoral do sudeste brasileiro. Basicamente, tratava-se de uma aliança de Tupiniquins de São Vicente e do Espírito Santo, Temiminós do Rio de Janeiro e Portugueses e a outra aliança formada pelos Tupinambás do Rio de Janeiro e de São Vicente (osTamoios) e os Franceses. Pouco se conhece deste grupo morador na região dabaíada Guanabara, espaço no qual os portugueses fundariam, do lado direito desta baía, a cidade do Rio de Janeiro. Pertencentes à família tupi, estavam em guerra com os vizinhos, igualmente tupis, pertencentes à chamada confederação dos tamoios,que se haviam tomado de inimizade com os portugueses e ocupavam espaços da grande região litoral entre Cabo Frio e Bertioga. A propósito da inimizade entre Temiminós, identificados como Maracaiás e dos Tupinambás que integravam o grupo confederado tamoio, escreveu Thévet que “entram amiúde em conflito e a hostilidade entre as duas nações é tão inveterada que parece mais fácil misturar água com fogo, sem que uma altere o outro, do que juntar tupinambás e maracajás sem terríveis disputas”(1575, p. 909).Num primeiro momento, o pedido de socorro apresentado pelo emissário não pôde ser atendido dada a ausência do donatário, sob a alegação denão se deve remimiscuir diretamente em territórios pertencentes à capitania de São Vicente (Novas Cartas Jesuíticas, 1940, p. 180). Todavia, no regresso de Vasco Fernandes Coutinho em penharam-se os padres jesuítas Brás Lourenço eLuís da Grãno simultâneo papel de conselheiros do capitão donatário ede advogadosdos Temiminós nas conversaçõesconducentes à transferência do grupo da Guanabara para as próximidades de Vitória: “Pedimos-lhe então muitas pessoas que sendo certa a extrema necessidade em que diziam estar”(Novas cartas jesuíticas, 1940, p. 180). Superada a resistência inicial de Vasco Fernandes Coutinho,as ordens do donatário foram maisprudentes que entusiásticas quanto à receptividade do grupo: que não os trouxessem se não estivessem em extrema necessidade. Mas estavam, porque:

Chegando lá os navios, estando já com casas e fato queimado, dentro em dia e meio se embarcaram com tanta pressa, que havia pais que deixavam na praia seus filhos, e dois que ficavam na praia para expirar, já de fome, batizaram logo, e no-los deram(Novas cartas jesuíticas, 1940, p. 181).

De acordo com a data da carta supra citada,a24 de Abril de 1555 o ato estavaconsumado.

A proximidade geográfica e as boas relações entre jesuítas e Maracaiaguaçu, estabelecido com os seusna aldeia da vila(Cartas, 1988, p. 240), portanto na ilha de Santo António,facilitavam o trabalho de inculturação. Aele se referem parainformarque o IrmãoAntónio Rodrigues os chamava pela vila e doutrinava em 1556:

pella villa com uma campainha a convocal-os em Deus e, depois que os tinha juntos fazia-lhes primeiro a doutrina em nossa lingua, e depois,com uma breve declaração, a tornava a dizer na sua (Cartas, 1988, p. 179).

Entretanto, aosíndios de Maracaiaguaçu e aos da aldeia de Maraguay, para comodidade dos missionários, evitando-lhes deslocaçõesmorosas esuplementares, ordenara Vasco Fernandes Coutinho a junção num único aldeamento“perto da villa”(Cartas, 1988, p. 222). Este ato, aparentemente simples, espelha uma alteração nas estratégias e atividades missionárias dentro da província jesuítica brasileira no momento da passagem da adoção de práticas indígenas para a vida concentrada em aldeamentos, onde se juntavam diferentes etnias, sob a assistência dos missionários.

Para que menos de nós bastassem a ensinar a muitos e tirasse o comer para carne humana, ao menos áquelles que estavam sujeitos e ao derredor da cidade, tantoquanto seu poder se estendesse (NÓBREGA, 1988, p. 202).

O momento no Espírito Santo, antecede assim a autorização somente concedida pelo governador-geral Mem de Sá e previamente recusada pelo seu antecessor Duarte da Costa, não obstante osreiterados pedidosapresentados pelos superiores jesuítas.

Voltamos a ter novas notícias sobre o Grande Gatoe dos seus dois anos depois, por motivo do batizado de um de seus filhos.

No dia 20 de Janeiro de 1558 a doença,resultante do ferimento de uma flechada, de um dos filhos do principal Maracaiaguaçuou Grande Gato precipitou o batismo e casamento daquele, precatando-se,desse modo,a salvação da almado neófito que recebeu o nome de Sebastião Lemos em honra do santo do dia e do senhor da ilhaonde residiame na altura se achava presente.

Façamos aqui um parêntese para melhor se poder localizar e contextualizar a cerimónia e algumas das pessoas que dela participaram e se tornaram relevantes no desenvolvimento do decurso da evangelização e do momento histórico da capitania.

Pouco depois da tomada de posse do governador-geral Mem de Sá umadas primeiras ações executivas do novo governador foi atender ao pedido de ajudaenviado do Espírito Santo pelo seu capitão-donatário, Vasco Fernandes Coutinho:

Dezia que o gentio da sua capitaniase allevantara e lhe fazia crua gerra e lhe tinha mortosmuitos homens e feridos e que ho tinhãoserquado na villa//onde dias e noites ho combatião e que nam podia deixar de se emtregar a que o comesem se ho não socorresem com mujita brevidade (Annaes da Bibliotheca Nacional, 1905, p. 132)

O auxílio fez-se prestes com a nomeação do filho Fernão de Sá no comando duma força de quase duzentos homens distribuídos por seis navios. Zarpados de Salvador no início do mês de Janeiro de 58, a elesse juntaram reforços na vila de Porto Seguroonde governava Duarte de Lemos. Conta o jesuíta António Blasquez que Fernão de Sá recebera ordens do pai para acudir à situação preocupante de Vasco Coutinho e companheiros. Porém, chegados ao litoral da capitania do Espírito Santo “foram dar onde não os mandavam4” (Cartas, 1988, p. 215). Depreende-se então que o destino da expedição militar seria entrar na barra do rio Santa Maria para defesa dos moradores das vilas do Espírito Santo e de Vitória, porém as forças auxiliares de Porto Seguro desviaram a pequena armada para as margensdo rio Cricaré e nele investiram contra três aldeias. A inicitiva não parecedespropositadado ponto de vistada oportunidade de apresarem o maior número possível de índios que, reduzidos à escravatura, representavam uma fonte de rendimento para os captores. Tal como significava aproveitar a oportunidade de dar combate aos aguerridos índios que costumavam assolar os cristãos das duas capitanias (ANCHIETA, 1988, p. 359;SALVADOR, 1918, p. 167).

Prosseguindo para a vila onde se encontrava Vasco Fernandes Coutinho “porem jaa nom estaua serquado e o gemtjo com a novaa da destroição das fortallezas se Recolherão a huma fortalleza em que tinhão grande comfiança”. Juntos determinaram oataque a essa aldeia. Antes, porém aconteceu o batizado do filho de Maracaiaguaçu narrado pelo padre Francisco de Pires, que ocupava o cargo de superior no Espírito Santo. Por deferência ao paie reconhecimento da colaboração prestada, foram seus padrinhos homens preeminentes da capitania, Duarte de Lemos,que recebera a ilha de Santo António em sesmaria, Bernardo Sanches da Pimenta, que desempenhava as funções de provedor, e André Serrão. A celebração rápida e simples, “porquanto o Indio estava doente e mal poude vir á egreja”(Cartas, 1988, p. 220), contrastou com a solenidade do seu funeral, oportunidade para se usar da ostentação e pompa como parte do processo de transformação das consciênciase de evangelização. A partir daqui os acontecimentos precipitaram-se.

Convenientemente, mesclaram-se os rituais da morte católicos e indígenas numa dinâmica tida por mais atrativa à difusão do ideal cristão e dirigida a impressionar os sentidos. A descrição do funeral e do cortejo fúnebre são a imagem do contexto de realização do mesmo e descreve os sinais de um protocolo de fé entre a Companhia de Jesus, a comunidade portuguesa e os novos crentes sendo que o espírito religioso actuava como forma de socialização e convivência dos distintos grupos sociais.

Sebastião de Lemos, o filho do Gato, faleceu na última semana da Quaresma, sábado, dia 2 de Abril, mas desde quinta-feira, dado o agravamento da sua condição física, os jesuítas foram presença constante junto dele e dos familiares, aos quais guiaramnos procedimentos relativos à morte:

Fomos buscal-o com grande pompa e solemnidade: primeiramente o Padre Vigario levava o Cruxifixo nas mãos coberto de luto, como ás sextas-feiras na quaresma se costuma fazer, e sua cruz diante e a dos meninos, e o Governador na procissão com toda a demais gente da terra, e assim, nós cantando e elles pranteando, o trouxemos á nossa egreja; muito se espantaram e edificaram os Indios de ver aquelle concerto que davamos, que logo na noite seguinte prégou Jaraguay, dizendo que aquella era a verdade e que deviam todos ser bons christãos (Cartas, 1988, p. 221).

Em ano de rebeliões e guerra com algumas tribos indígenasa norte, as cerimónias fúnebres foram a oportunidade para a congregação de esforços de todas as entidades, associações e privados e funcionaram como espaço de convívio intercultural com a mescla dos ritos católicos e indígenas. Com efeito, todo o cerimonial conseguiu despertar nos índios o efeito desejado e que era a passagem e incorporação para o modo de vida dos cristãos. A nota distinta dos cânticos, pelo lado cristão, e do prantear do defunto, ao modo deles, conseguiram agregar elementos tão inusitados quanto apreciados nas culturas indígenas e promoveram a adesão aodiscurso evangelizador. Os efeitos da música, cânticos e gestos sobre os índios, recurso amplamente usado pelos jesuítas na catequese, tem na descrição do funeral o primeiro registo documentado desta prática no Espírito Santo. Para os jesuítas representava aquilo que seconsideravacomo o elo secreto entre as culturas indígenas e a portuguesa e serviram como base para a expansão da evangelização, estratégia utilizada para fazer avanço naocidentalização dos Temiminós.

Envolvido pelos sentimentos da morte potenciados pela encenaçãosedutora, Maracaiaguaçu falou, na noite seguinte, aos seus acerca da excelência da conversão à nova fé.Dias depoisos jesuítas celebraram uma missa por alma do defunto, em officio cantado(Cartas, p. 221).Maracaiaguaçu recebeu novo destaque ao ter sido sentado nos assentos da primeira fila da igreja de Santiago entre Vasco Fernandes Coutinho, o primeirocapitão-donatário eo filho deste,demesmo nome, que sucedeu ao pai como governador da capitania. Depois da missa o capitão donatário convidou O Gatoe alguns dos seus para, juntamente com o padreFrancisco Pires, irem a sua casa. Aí puderam tratar das questões que afligiam os dois chefes, mormente os conflitos entre os da terra e osBrancosque conduzira a confrontos entre as duas comunidades (Cartas, p. 221). Nas conversações, com recurso a intérprete, o padre jesuíta teve uma participação ativa, pois foi sua a sugestão de se estreitarem mais os laços entre as duas comunidades através dos batizados de Maracaiaguaçu e sua mulher e, bem assim, do casamento de ambos, no que OGatoe a mulher concordaram. Para selar o acordo simbolizado pelo ato religioso, mas de significado social e político, Maracaiaguaçu, a mulher e os filhos receberiam respetivamente o nome de Vasco Coutinho, o da mãe edosfilhos deste. Desta forma, a nobreza do governador da capitania transferia-se, por parentesco político, para a nova nobreza da terra. Para os portugueses, acostumados à cultura que valorizava as alianças através dos laços de parentela, a solução era bem acolhida. Pelo lado da cultura indígena agraciar o chefe português era bem visto, além de que, como guerreiro, receber um nome elevava o seu estatuto perante a tribo. Para os jesuítas, era uma forma de conferir através do baptismo um nome pela via da paz e da fé que abraçavam, sem que houvesse necessidade de recorrer à morte de outro guerreiro. O pacto seria comemorado com uma festa que Vasco Coutinho, visivelmente satisfeito com o resultado da negociação, se propôs a organizar. Duas conclusões imediatas se podem retirar: a de que os jesuítas desempenhavam um papel importante entre os mundos português e indígena e funcionavam como uma ponte a nível religioso, social e político, aceites e respeitados tanto por um, como por outro, capazes de influenciar a tomada de decisões e a de que a evangelização dos Temiminós avançava satisfatoriamente:

[…]acabado o officio o levou á sua casa para lhes fazer uma pratica por causa dos Negros, porquanto havia sucedido entre ambos uma revolta, scilicet: entre os da terra e os Brancos, e estando eu presentedisse ao Sr. Governador que lhe mandasse dizer que, para de todo ser nosso irmão, porque não tratavam da amizade e amor que havia entre ele e os Brancos; já não lhe faltava sinão ser baptizado e casado com sua mulher. Dizendo-lhe assim o língua, respondeuque muito queria, e sua mulher, que estava presente, o mesmo; disse o Sr. Governador que, porquanto a amava muito, lhe queria fazer uma grande festa no dia do seu baptismo e por este amor queria que tomasse o seu nome e sua mulher o de sua mãe e seus filhos os nomes dos seus, e assim os poz por cada um, e assim assentámos em baptizal-opara a festa do Espirito Santo (Cartas, 1988,p. 221).

Se os batismos foram realizados na data acordada, Vasco Fernandes Coutinho não pôde assistir à cerimónia nem à festaque se prontificara a organizar. Nesse dia já se encontrava em viagem para o Reino, pois é de 22 de Maio de 1558 uma carta sua escrita em Ilhéus endereçada a Mem de Sá, ou seja, o domingo anterior ao de Pentecostes, celebrado a 29 de Maio. Supomos que essa viagem já estivesse nos seus planos e aguardasse apenas a oportunidade de poder embarcar, o que acontecia ao estiloe ritmodas viagens do século XVI. Na segunda metade daquele ano surgiu um surto epidémico entre os índios, tanto nos escravos, quanto noslivres, que entrou pelo ano seguinte. A epidemia começara no Rio de Janeiro e no Espírito Santo teve o primeiro foco em Itaperim. Daí famílias indígenas com índios infetados procuraram refúgio próximo dos portugueses(Cartas, p. 234), masa doença alastrou com facilidade devido à concentração de indígenas em torno das duas vilas. Brás Lourenço ficou com o serviço da confissão e baptismo in extremis ao lado do irmãolíngua; e tão accelerada que do dia que lhe dava até o 6º, os levava, a uns com prioris, a outros com camaras de sangue(Cartas, p. 233). A mortalidade foi alta, porque havia dias de se enterrarem treze cadáveres. As sepulturas do interior da igreja rapidamente ficaram completas e passou-se para o adro, havendo necessidade, por economia de espaço, de se inumarem dois corpos em cada campa. O padre proibiu o toque de rebate do sino a anunciar uma morte, na tentativa de controlar o pânico entre as pessoas. No final, o cômputo dos mortos apenas entre os escravos atingiu o número de seiscentos.

Se fazia dia de enterrarem treze; por estar já o adro cheio, botavam dois em uma cova: já não chamavam ao Padre senão o que leva os mortos, e porque não acabasse de entrar o pasmo […]mandou que não tangessem, porque com tanto tanger de sino e campainha esmaiavam. Finalmente que em breve tempo achamos por conta a 600 escravos serem mortos (Cartas, 1988,p. 233 -234).

Assustados, sem conhecimento dos meios de propagação da infeção, depressa se espalhou entre os índios a ideia de que a água do batismo era a causadora do aumento da doença. Não importava o quanto os jesuítas se esforçassem,não conseguiam acudir a todos, tão-pouco substituir o respeito pelo saber e experiênciados mais velhos, em especial os ditos das velhas.A custo, e pontualmente, conseguiam alguma conversão, os índios preferiam fugir e esconderem-se a ficar e enfrentar o batismo com receio de morrerem. Quando em aflição, a maioria preferiu as crenças em que haviam sido educados. No conteúdo da carta, maioritariamente ocupado pela descrição dos horrores da doença, o episódio de uma índia idosa chamaa atenção por constituir exemplo da sociedade híbrida que se construía:

Na aldeia com as velhas não ha cousa que as mova de nossa parte para quererem receber o bautismo, porque têm por mui certo que lhe deitam a morte com o bautismo. Uma estando doente foi convidada. Respondeu que sim, mas em breve espaço tornou a dizer que não. Foi chamado um Indio seu parente que lhe viesse falar; o qual é bem instruido dos Padres, e falando á velha da morte e paixão de Nosso Senhor, alevantou-se na rede e disse que a bautisassem que queria ser christã (Cartas, 1988,p. 233 -234.Adaptado)

Compreende-se que a morteera algo que a índia não queria, por isso negoua água do batismo. Porém, quando alguém da sua confiança lhe explicou que Jesus morrera e ressuscitara, ser cristã tornou-se algo atrativo porque, assim, poderia viver de novo. Permite ainda refletir sobre o modelo de catequese com caráter de urgência, no caso o perigo de morte eminente, no qual de crer é que de filhos da ira se tornavam filhos da graça(Cartas, p. 334). Para osjesuítas, do limiar da morte só escapavam aqueles que Deus escolhia para bom exemplo, os restantes não voltariam a reincidir nos pecados em que viviam. No exemplo, a persuação exercida foi um processo unilateral, porém de mútuo assentimento e nele convergem outros casos, como se o escritor seguisse um roteiro pré-estabelecido do qual constam a aproximação dos missionários, as polémicas advindas do confronto entre os dois mundos, a revelação de Deus aos indígenas, seguido da catequese e, finalmente, a salvação com o batismo.

Por esta altura, a aldeia indígena de Vasco Fernandes, o Gato, estava dividida em dois núcleos, um nailha de Santo António e outro além do rio(Cartas, p. 234), mas na primeira metade do ano de 1559 o principal dos Indiosse poz á outra banda com toda sua casa(Cartas, p. 238). Incomodado pelos cristãos que se comportavam como cunumis, ou seja, como moços, lastimava-se das mudanças operadas nos portugueses quedesrespeitavam os antigos acordos e induziam os índios a venderem-se a si próprios, aos filhos e outros parentes na tentativa de conseguirem repor as peças que haviam perdido com a epidemia(Cartas, p. 241). Sem escrúpulos, todo o subterfúgio era válido. A quantidade e as formas abusivas utilizadas assumiram proporções que ultrapassavam qualquer limite. Na tentativa de salvaguardar apopulação indígena, o superior dos jesuítas, o padre Brás Lourenço, foi impelido a intervir. Fazendo uso da sua autoridade eclesiástica, procurou negociar limites que fossem aceites pelos colonos, servindo-se de argumentos de ordem ética(Cartas, p. 241).De imediato conseguiu que aceitassem chegar a um acordo, porém, aos poucos, desistiram quando perceberam como este lhes seria prejudicial do ponto de vista económico. Sem pacto possível o capitão Belchior de Azeredo,que substituía o donatário,saiuem socorro de Brás Lourenço emandou apregoar que ninguem as comprasse, sob pena de as perdere ao dinheiro(Cartas, p. 241). Dessa forma os ânimos refrearam-seum pouco, mas a confiança tinha acabado. Portanto, Vasco Coutinho tomara a decisão de se apartarem dos cristãos que não paravam de molestar os seus. Depois da saída ntempestiva para novo local e depois das malocas já construídas, conseguiu Brás Lourenço que aceitassem a construção duma igreja e abrigo que servissem nas deslocações quando os fossem doutrinar, com esse intuito uma vez foi lá o Padre para apontar o que era necessario para o sitio de nossa egreja e casa(Cartas, p. 245). O lugar escolhido por Vasco Fernandes para a aldeia não agradou muito a Brás Lourenço, mas como se haviam mudado havia pouco tempo e as casas eram novas ficou acordado que eles fariam, posteriormente,uma egreja para qualquer parte que desejássemos(Cartas, p. 245). Ficou acertado que, no domingo seguinte, Brás Lourenço regressaria para acertarem os detalhes. O que de facto aconteceu no início de Junho. No domingo aprazado pela manhã, debaixo de muita chuva, seguiram Brás Lourenço, António de Sá e Gonçalo Álvares com destino à aldeia onde este último fez um sermão sermãobem longoem tupi.

Determinou Brás Lourenço a transferência do irmãoAntónio de Sá para a assistência na aldeia. Este, para o efeito, recebeu instruções do seu superior de como procederempara se fazer a casa e a igreja, tomando na mesmaaltura a seu cargo a escola dos meninos queiria funcionar numa cabana de palha, tixiparou tijupar, a ser erguida no centro da aldeia.

Voltamos a ter notícias da aldeia em 1562, embora em outro espaço, mas não mais de Maracaiaguaçu. Fabiano de Lucena, um dos padres língua, levado para o Espírito Santo em 1556 por Manuel da Nóbrega e, entretanto ordenado sacerdote, tinha, há dois anos, à sua responsabilidade a aldeia, assim como toda a conversão dos índios,porque para isto lhe deu Nosso Senhor muito bom talento (Cartas, p. 366).

A grande aldeia, como é designada no documento, era habitada pelos índios que haviam saído do Rio de Janeiro e contava, a 10 de Junho de 1562,cerca de mil almas aliadas dos cristãos portugueses (Cartas, p. 367). Localizada arriba da povoação dos cristãosnum bom sítio, a que se chegava por almadia,fora erguida por indicação do padre Lucena havia dois anos, portanto em 1560. Esquadrinhando a carta anterior do Espírito Santo, de há precisamente três anos atrás, encontra-seo porquê da mudança. Na saída rápida da ilha de Santo António, o principal fizera erguer a aldeia em local do desagrado de Brás Lourenço. Mantiveram-se nela, porque seria insensato e penoso desperdiçar trabalho e construções novas, numa terra em que quase tudo faltava e se haviam adaptado a viver com o que se lhes oferecia. Contudo, ficara a ideia de poderem os índios voltar a construir igreja onde os jesuítas desejassem (Cartas, p. 245). A referência ao facto da aldeia haver sido feita um ano depois da anterior segueoanterior compromissode a erguer em lugar do agrado do superior Brás Lourenço, cuja escolha se estaria a reger pelos critérios de salubridade, defesa e acesso, traços comuns aos restantes aldeamentos jesuíticos.

A igreja construída da invocação de Nª Sª da Conceição, apesar de airosa, era pobre, nem cálice tinha para as celebrações,daí o pedido modesto a Lisboa de um desses ornamentos de que lá não fazem muita conta lhe fora cá mui bom pera as festas(Cartas, p. 366). Nela fizeram construir, além da igreja uma casa para os jesuítas se alojarem durante as deslocações e outra onde habitava um casal cristão a quem os jesuítas haviam delegado a tarefa de educar os jovens, preparando-os para o trabalho e para o casamento.

Ao longo de cinco anos, desde a fuga do Rio de Janeiro à fixação junto dos portugueses na vila de Vitória e às mudanças subsequentes, a aldeia dos Temiminós do cacique Maracaiaguaçu permaneceu aldeia dos índios, do Gato, da vila, do outro lado. Quando nela se construiu a igreja, simbolicamente, passou a integrar a esfera do mundo cristão português, acabando por adoptar o nome da padroeira: Nª. Sª da Conceição. Em todo este tempo e trajetória o retrato físico quer do principal Maracaiaguaçu, quer dos seus, é inexistente. Sem receber uma palavra de individualização, não se conhecem nem os traços particulares, nem os étnicos. Nas escritas de tipo edificante da Companhia de Jesus o relato das conquistas espirituais sobrepõe-se aos demais. Vence oestereótipo do índio que, ao longo dos séculos, tem sofrido sucessivas substituições.

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