Guarapari, ES – Em uma ação que une conhecimento técnico e engajamento comunitário, o projeto “Vozes dos Manguezais de Guarapari – ES, Brasil”, coordenado pelo Prof. Dr. Marlon C. França, avança em uma fase delicada e importante com a transformação de propágulos em mudas saudáveis a serem usadas na restauração de áreas de mangue.
Financiada pelo EDITAL FAPES/SEAMA Nº 13/2024, a iniciativa vê na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Papagaio (RDS Papagaio) um grande elo, no viveiro municipal de Anchieta (ES), o primeiro berço para o futuro do ecossistema de manguezal, onde cada propágulo representa uma promessa de vida.
Conversamos com Roberta Belshoff Sangali, coordenadora do viveiro, que detalhou o trabalho por detrás do cultivo de mudas.
– “Nós estamos trabalhando com a parte de produção das mudas”, explica Roberta. Para ela, a importância do projeto é clara: “A possibilidade de recuperação de áreas, que infelizmente já sofreram com a degradação”. O ponto de partida para essa recuperação são, justamente, os propágulos, as sementes que darão origem a novas árvores.

Mãos que colhem e semeiam
O trabalho no viveiro é um esforço coletivo que envolve “todos os funcionários do viveiro”, além de uma colaboração vital com estudantes e pesquisadores. “A equipe do viveiro trabalha na produção de mudas, os estudantes ajudam e participam das outras fases” como a coleta das sementes na praia e nas margens dos rios, durante a maré baixa, conta a coordenadora. Essa sinergia garante que cada propágulo coletado receba o cuidado necessário para germinar e se fortalecer.
A restauração será feita com três espécies diferentes de mangue, respeitando a vocação de cada área. “Temos que respeitar as áreas que são propícias para cada espécie”, ressalta Roberta. A seleção dos locais para o plantio seguirá um critério rigoroso, focando em “áreas que foram degradadas pela ação humana”, locais onde a reintrodução dessas jovens mudas forem mais urgentes.
Desafios e expectativas: transformando propágulos em floresta
O caminho da restauração, no entanto, apresenta seus obstáculos. Um dos maiores desafios, segundo Roberta, foi “principalmente na coleta do substrato do mangue”, mantendo-o saudável, componente essencial para o desenvolvimento das novas árvores de forma saudável fora de seu ambiente natural.
Apesar dos cuidados, a esperança é alta. “A nossa expectativa é de conseguir produzir as mudas da forma mais fácil e que tenha o percentual de mortes menor”, afirma a coordenadora, referindo-se diretamente à taxa de sobrevivência dos propágulos. O sucesso do projeto depende da capacidade da equipe de transformar o maior número possível desses embriões em árvores fortes.
A visão de futuro para o manguezal é inspiradora. O maior desejo da equipe da RDS Papagaio é “que ele continue sendo preservado”. A esperança é que, em 5 ou 10 anos, o resultado desse esforço seja um ecossistema mais denso e vibrante, graças aos propágulos que hoje são cuidadosamente cultivados.


O papel da comunidade e a educação como ferramenta de preservação
O projeto entende que a restauração não se faz apenas com o plantio. A conscientização da comunidade é fundamental. Questionada sobre como a população pode ajudar, Roberta é enfática: “Devem trabalhar de forma indireta, se preocupando com resíduos que podem ir parar nas áreas de mangue, denunciando invasões e outras atividades irregulares”, ações que protegem tanto o manguezal existente quanto os futuros locais de plantio dos propágulos.
A RDS Papagaio já pratica esse envolvimento através de “passeios guiados pela RDS, que possibilita aos visitantes aprender um pouquinho sobre preservação dos manguezais”.
Para a identidade da comunidade de Anchieta, o projeto e seus propágulos representam um legado. Significa, nas palavras de Roberta, “poder passar para as próximas gerações a possibilidade de conhecer o ecossistema e tirar o sustento dele de forma consciente e sustentável”. Mais do que plantar árvores, o projeto “Vozes dos Manguezais” está cultivando uma nova consciência, mostrando que a partir de pequenos propágulos, é possível semear uma grande esperança para o futuro.


O berçário do manguezal: estratégias biotecnológicas para a germinação de propágulos
O cultivo dos propágulos é uma etapa central do projeto? Do ponto de vista da coordenação, qual a importância de começar a restauração a partir da semente, e por que a expertise e a estrutura da RDS Papagaio foram consideradas a escolha ideal para abrigar esta fase inicial? Inquirido com essas questões, o coordenador do projeto “Vozes dos Manguezais de Guarapari – ES, Brasil, Prof. Dr. França, sublinhou o fato do projeto ter o foco em Guarapari, nesta etapa fundamental a ação decorre em Anchieta-ES, onde existe uma estrutura montada e uma parceria antiga. Outro aspecto é a janela de oportunidade para a coleta das sementes, que termina neste mês de agosto, conjugada com a proximidade geográfica dos alunos envolvidos nesta fase coletora com a RDS Papagaio, onde os mesmos foram entregues. Posteriormente, assim que um viveiro estiver pronto dentro dos terrenos da instituição parceira SALVAMAR, localizada em área de impacto de manguezal degradado no Perocão, a germinação e desenvolvimento das mudas será realizada também no município de Guarapari-ES
Mais sobre o projeto “Vozes dos Manguezais de Guarapari – ES, Brasil”
Parceiros e colaboradores
- INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – CAMPUS PIÚMA
- SALVAMAR SOCIAL – GUARAPARI
- SALVAMAR AMBIENTAL – GUARAPAR
- MORRO DA PESCARIA
- RDS CONCHA D’OSTRA – GUARAPARI|
- RDS PAPAGAIO – ANCHIETA
- PREFEITURA DE ANCHIETA
- PREFEITURA DE GUARAPARI
- INSTITUTO RERITIBA – ANCHIETA
- IFES – GUARAPARI
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – UFBA
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – UFPA
- UNIVERSITY OF MASSACHUSETTS – EUA
- UNIVERSITY OF NOTTINGHAM – INGLATERRA




