GUARAPARI (ES) – O silêncio nos estuários dos rios Una, Perocão e no Canal de Guarapari tem sido interrompido por um som de esperança: o sutil crescimento de centenas de propágulos que agora repousam sob os cuidados da Associação SALVAMAR. Em uma colaboração estratégica com o IFES de Piúma, por meio do projeto Vozes dos Manguezais, a cidade de Guarapari dá um passo decisivo para cicatrizar as feridas de seus ecossistemas costeiros.
No dia 10 de fevereiro, a sede da SALVAMAR Ambiental tornou-se o berçário de uma nova era. A chegada das mudas, coordenada pelo professor Marlon C. França e seus alunos, marcou um momento de profunda emoção para a equipe local. “Foi muito gratificante receber os alunos do IFES. Este conjunto de mudas vai ao encontro dos nossos objetivos maiores: a preservação e proteção ambiental dos nossos rios e manguezais”, afirma Sebastião Carlos Machado, presidente da SALVAMAR.

A origem dessa transformação é local e científica. As mudas não surgiram ao acaso; foram coletadas como propágulos (sementes nativas) nas próprias praias da região, respeitando a genética do território. Sob o olhar atento da SALVAMAR, esses “embriões de floresta” recebem cuidados diários. “Estamos acompanhando o dia a dia do crescimento, fazendo a limpeza do local e regando cada um deles”, explicou-nos Sebastião.
O destino final destas mudas já está traçado: elas se destinam aos pontos críticos de Perocão, rio Una e o Canal de Guarapari. São áreas que, embora resistam bravamente, sofrem com a pressão urbana. Ao olhar a realidade atual, não há como esconder as cicatrizes — como, por exemplo, o esgoto in natura e o descarte irregular de lixo, que sufocam as raízes aéreas que deveriam apenas “respirar a maré”.


“O principal desafio hoje é a poluição, especialmente o esgoto. Nosso objetivo é recuperar esses pontos degradados e, a longo prazo, alcançar a recuperação total”, projeta o presidente da SALVAMAR.
A reconstrução do manguezal não é um trabalho de homens isolados, mas de uma aldeia inteira. Sebastião destaca que, assim que as mudas atingirem a maturidade necessária para o plantio definitivo, a comunidade será convocada a colocar as mãos na terra — ou melhor dizendo, na lama fértil. A manutenção será rigorosa: as áreas serão demarcadas, com acompanhamento semanal e registros fotográficos para garantir que o que foi plantado se torne, de fato, floresta.
Ao final da conversa, a mensagem de Sebastião ressoa como um eco das águas de Guarapari, unindo a visão do projeto à prática da SALVAMAR:
“Nossos manguezais têm que ser preservados por todos nós. São ecossistemas costeiros vitais e berçários para inúmeras espécies marinhas. Preservá-los é garantir a vida.”
Com esta parceria, o projeto Vozes dos Manguezais de Guarapari deixa de ser apenas um título para se tornar uma realidade palpável, verde e resiliente, pronta para ser traduzida para o mundo e herdada pelas futuras gerações de capixabas.


Para saber mais sobre as ações de restauração e os estudos científicos em Guarapari, acompanhe a categoria especial no site: https://reritiba.com/vozesdosmanguezais


