Conservação · Manguezais · Espírito Santo
Do Espírito Santo para o mundo: "Vozes dos Manguezais" integra rede global de conservação costeira
Projeto liderado pela FAPES conquista reconhecimento internacional ao ingressar na Mangrove Breakthrough — aliança mundial para restauração de ecossistemas de mangue até 2030, com atuação em Guarapari (ES).


Manguezais de Guarapari (ES): ecossistema costeiro que agora integra rede internacional de conservação. Foto: Instituto Reritiba.
Ficha do Projeto
| Nome do projeto | Vozes dos Manguezais de Guarapari (ES): diagnóstico e ações para a proteção e conscientização |
|---|---|
| Edital de origem | FAPES/SEAMA nº 13/2024 — Termo de Outorga 005/2025 |
| Coordenação científica | Prof. Marlon Carlos França — IFES Campus Piúma |
| Instituição executora | IFES Campus Piúma |
| Comunicação, sensibilização e educação | Instituto Reritiba |
| Iniciativa | FAPES — Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo |
| Financiamento | FUNDÁGUA — Fundo Estadual de Recursos Hídricos e Florestais; FUNCITEC-ES — Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia; Governo do Estado do Espírito Santo |
| Rede internacional | Mangrove Breakthrough / Global Mangrove Alliance |
| Plataforma de monitoramento | Restor (presença ativa com área georreferenciada) |
| Localização | Guarapari, Espírito Santo, Brasil |
Um ecossistema capixaba no centro do debate ambiental mundial
O trabalho de preservação e restauração dos manguezais de Guarapari, financiado pela FUNDÁGUA, FUNCITEC-ES e pelo Governo do Estado do Espírito Santo por meio da FAPES, e executado pelo IFES Campus Piúma com atuação em comunicação e sensibilização do Instituto Reritiba, acaba de romper fronteiras geográficas. O projeto "Vozes dos Manguezais" anunciou oficialmente sua entrada na Mangrove Breakthrough — uma iniciativa de escala mundial que reúne esforços globais para salvaguardar ecossistemas de mangue.
A Mangrove Breakthrough é uma aliança de peso, apoiada pela Global Mangrove Alliance, com metas ambiciosas para o futuro do planeta: restaurar ecossistemas degradados, proteger áreas costeiras vitais e mobilizar bilhões de dólares em investimentos em infraestrutura natural até 2030. A adesão do projeto capixaba coloca Guarapari na mesma rede de iniciativas que operam em escala planetária.


Atividades de cultivo de mudas e reflorestamento integram as frentes de ação do projeto no território. Foto: Instituto Reritiba.
A FAPES como catalisadora do alcance internacional
A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) foi a responsável pela iniciativa e gestão da Chamada Pública FAPES/SEAMA nº 13/2024, criando as condições institucionais para que o projeto pudesse estruturar sua base técnica e científica — requisito indispensável para integrar redes globais. O financiamento do edital foi viabilizado pela FUNDÁGUA (Fundo Estadual de Recursos Hídricos e Florestais), pelo FUNCITEC-ES (Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia) e pelo Governo do Estado do Espírito Santo.
O edital foi pioneiro em âmbito nacional: o Espírito Santo foi o primeiro estado brasileiro a lançar um edital específico sobre manguezal, com um modelo diferenciado de pesquisa em rede que envolve, além da academia, a mobilização do setor econômico para enxergar a preservação como vetor de desenvolvimento regional.


"Vocês participam de uma ação inédita na ciência capixaba. O Espírito Santo foi o primeiro estado a lançar um edital sobre manguezal e ele tem um olhar diferente — um edital de pesquisa em rede, que envolve inclusive a mobilização do setor econômico para olhar para a preservação como uma forma de desenvolvimento regional."
Rodrigo Varejão Andreão — Diretor-Geral da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), no Seminário "Marco Zero"
Uma articulação intersetorial sem precedentes
A concretização deste edital é fruto de um diálogo construtivo entre instituições de diferentes esferas. Ramon Moreira de Paula, Subsecretário de Estado de Fomento de Negócios Sustentáveis e Investimentos de Impacto, destacou o protagonismo do governo capixaba em nível nacional nas iniciativas de promoção de negócios sustentáveis.
O modelo só foi possível graças à parceria entre a FAPES, a SEAMA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), a FUNDÁGUA (Fundo Estadual de Recursos Hídricos e Florestais), o FUNCITEC-ES (Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia), o Governo do Estado do Espírito Santo, a academia, organizações da sociedade civil e setores produtivos — uma configuração que demonstra como preservação e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.


Ramon Moreira de Paula, Subsecretário de Estado de Fomento de Negócios Sustentáveis e Investimentos de Impacto. Foto: Instituto Reritiba.


Pesquisa científica como ferramenta central de preservação a longo prazo. Foto: Instituto Reritiba.
Base técnica sólida para ação no campo
O projeto liderado pelo professor Marlon Carlos França, do IFES Campus Piúma, representa um esforço concentrado para compreender a dinâmica dos ecossistemas de manguezais na área específica de Guarapari. O objetivo primordial é gerar um diagnóstico detalhado das áreas que demandam ações de recuperação, viabilizando intervenções integradas e baseadas em evidências científicas.
Frentes de atuação do projeto
Reflorestamento e cultivo de mudas: estruturação de viveiros para recuperação de áreas degradadas.
Diagnóstico geoquímico: análises técnicas que permitem compreender a saúde do solo e da água nos manguezais.
Monitoramento contínuo e educação ambiental: engajamento comunitário como ferramenta de preservação a longo prazo.


A área de atuação do projeto figura como ponto ativo de restauração na plataforma Restor, permitindo transparência e acompanhamento global. Fonte: Geoiema / Instituto Reritiba.
Visibilidade, investimento e conexão internacional
Para o "Vozes dos Manguezais", a entrada na Mangrove Breakthrough é um motor de aceleração. A integração permite ao projeto ganhar visibilidade global, conectar-se com investidores da economia azul e integrar uma rede de impacto que coloca Guarapari no centro do debate ambiental mundial.
O projeto também consolidou sua presença digital na plataforma Restor, onde a área de atuação figura como um ponto ativo de restauração — garantindo transparência, rastreabilidade científica e acompanhamento em tempo real por parte da comunidade global de conservação.
Na voz do pesquisador
Prof. Marlon C. França sobre a entrada na Mangrove Breakthrough
Coordenador científico do projeto — Pós-doutor em Oceanografia e Ciências pela University of Massachusetts · IFES Campus Piúma
"Com muita alegria nós recebemos o resultado do cadastro do projeto Vozes dos Manguezais nessa rede chamada Mangrove Breakthrough. Por que isso é importante para nós no contexto do projeto Vozes dos Manguezais? Tendo em vista a notoriedade do projeto, a atuação dele na região de Guarapari vem ganhando destaque dentro do município, assim como destaque nas ações regionais e estaduais. Porque trabalhar com a proteção dos ecossistemas de manguezais é trabalhar com a geração de um futuro mais promissor para as comunidades pesqueiras. Tendo em vista que nós estamos trabalhando a educação ambiental de comunidades costeiras, visando a proteção desses ecossistemas, para que amanhã nós possamos ter uma segurança alimentar, tendo em vista a proteção da biodiversidade dos ecossistemas marinhos, dos ecossistemas costeiros."


Prof. Marlon C. França em campo com comunidades costeiras — educação ambiental como pilar central do projeto. Foto: Instituto Reritiba.
"A inserção do projeto no cenário global é muito positiva para o projeto, porque isso permite que o projeto seja visto, observado, analisado e conhecido por uma sociedade internacional — e aí nós passamos a nos apresentar no ambiente internacional. E, dessa forma, os produtos que são gerados, os artigos, os documentos, os relatórios, eles também ganham visibilidade internacional. E, claro, toda a produção científica, principalmente dos artigos, ela vai passar por uma validação de comitês, de revistas internacionais, de avaliações. Ou seja, um crivo mais específico ainda, dentro de uma amplitude internacional."
"A entrada do projeto Vozes dos Manguezais na rede Mangrove Breakthrough permite que o projeto possa captar recursos internacionais para dentro de ações locais junto com essas comunidades costeiras."


Pesquisa científica em campo: o rigor metodológico do IFES Campus Piúma garante credibilidade internacional ao projeto. Foto: Instituto Reritiba.
"Dessa forma, a entrada do projeto Vozes dos Manguezais na rede Mangrove Breakthrough permite que o projeto seja visto dentro de um ambiente internacional e que, por sua vez, permite também que o projeto possa captar recursos internacionais para dentro de ações locais junto com essas comunidades costeiras. Ou seja, isso permite que o projeto possa atrair mais investimentos e ampliar as ações de conscientização para a proteção e a preservação dos ecossistemas de manguezais."
"Nesse contexto, não são somente dados e informações que nós apresentamos, mas estamos também apresentando as nossas potencialidades em termos de investimentos. Dessa forma, essas ações e esses resultados são apresentados também no ambiente internacional, mostrando para a comunidade que o Estado do Espírito Santo também está preocupado com o desenvolvimento de ações voltadas, por exemplo, para a economia azul. E aí, nesse contexto, a FAPES tem ganhado grande destaque com seus investimentos descentralizados para projetos de pesquisa, extensão, ensino e de tecnologias — e, dentro desse cenário, o Laboratório de Oceanografia e Clima e o Grupo de Pesquisa de Sedimentologia e Dinâmica Ambiental do IFES Campus Piúma ganham destaque com as aprovações dos projetos e o desenvolvimento dessas pesquisas, assim como a formação de recursos humanos na linha de ciências do mar e com o foco na economia azul e na biodiversidade."


Os manguezais de Guarapari como laboratório vivo: ciência, comunidade e economia azul convergindo em um único território. Foto: Instituto Reritiba.
"O manguezal capixaba, agora reconhecido mundialmente, firma-se como um pilar essencial para o equilíbrio climático global. O projeto segue ampliando vozes, territórios e impactos."
Equipe Instituto Reritiba — Projeto Vozes dos Manguezais
Cronologia do Projeto
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2024
Lançamento da Chamada Pública FAPES/SEAMA nº 13/2024 — primeiro edital sobre manguezal de um estado brasileiro.
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2025
Emissão do Termo de Outorga 005/2025 e início formal das atividades do projeto "Vozes dos Manguezais".
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2025 — Seminário Marco Zero
Apresentação pública dos resultados preliminares e alinhamento estratégico com parceiros institucionais.
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2026
Integração oficial à Mangrove Breakthrough e presença ativa na plataforma Restor — marco histórico de reconhecimento internacional.
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Meta 2030
Contribuição às metas globais da Global Mangrove Alliance: restauração, proteção costeira e mobilização de investimentos em infraestrutura natural.
Realização e parceiros institucionais










