Reritiba e ES 365 cobram avanços sobre a ferrovia que completa onze anos de espera
O Espírito Santo chega ao aniversário de 11 anos do anúncio da EF-118 sem nenhum metro de trilho assentado. Cobrança direta ao ministro dos Transportes expõe os entraves burocráticos que mantêm o estado refém do modal rodoviário.


| Denominação | Ferrovia EF-118 — Corredor Ferroviário Vitória–Rio de Janeiro |
| Programa | Programa de Investimentos em Logística (PIL) |
| Anúncio original | 9 de junho de 2015 |
| Trecho previsto | Vitória (ES) — Rio de Janeiro (RJ) |
| Modelo de contratação | Concessão — edital ainda não publicado |
| Entrave atual | Licenciamento arqueológico (IPHAN) e análise no TCU |
| Ministério responsável | Ministério dos Transportes — Ministro George Santoro |
| Previsão do edital | Após aprovação do TCU (expectativa: jun.–jul. 2026) |
Uma data marcada pela melancolia de uma promessa não cumprida
O calendário marcou, no último dia 9 de junho de 2026, uma data que o Espírito Santo gostaria de ter comemorado com o início de obras, mas que foi celebrada apenas com a melancolia de uma promessa não cumprida. Há exatos 11 anos, o Programa de Investimentos em Logística anunciava a construção da Ferrovia EF-118, o corredor ferroviário desenhado para ligar Vitória ao Rio de Janeiro.
Hoje, o projeto permanece como um imenso ponto de interrogação no mapa logístico brasileiro. Em Brasília, o cenário de estagnação foi confrontado diretamente durante o programa "Bom Dia, Ministro", da Rádio GOV, quando o diretor do Instituto Reritiba e do portal ES 365, Dhyovaine Nascimento, posicionou o Espírito Santo no centro do debate nacional.
Como único representante da imprensa capixaba a participar da entrevista com o ministro dos Transportes, George Santoro, Dhyovaine cobrou transparência sobre o motivo de uma obra estratégica ainda estar sendo refém de burocracias tardias.
O custo da ineficiência — uma década perdida
A EF-118 é, indiscutivelmente, a espinha dorsal necessária para destravar o potencial econômico do Sul do Espírito Santo. Em uma década marcada por promessas, o setor produtivo regional viu a competitividade escorrer pelas mãos. A ausência da ferrovia mantém o estado refém do modal rodoviário, encarecendo produtos, limitando o escoamento de grãos e minérios e retardando o desenvolvimento regional.
Mais do que trilhos, a ferrovia representa a integração logística com o maior eixo industrial do país. Onze anos de atraso não significam apenas um cronograma dilatado — significam investimentos que não vieram, empresas que não se instalaram e um desenvolvimento que ficou retido na burocracia estatal.
Onze anos de atraso não significam apenas um cronograma dilatado; significam investimentos que não vieram, empresas que não se instalaram e um desenvolvimento que ficou retido na burocracia estatal.Redação ES 365 — Edição Especial, junho de 2026
O IPHAN — salvaguarda necessária versus burocracia de gaveta
É fundamental reconhecer que a proteção do nosso passado é condição sine qua non para um futuro civilizado. O IPHAN desempenha um papel inestimável como a salvaguarda do patrimônio arqueológico e histórico brasileiro, garantindo que as marcas da nossa cultura e a memória de civilizações que habitaram o solo capixaba sejam preservadas. A conservação desses sítios dentro da área de influência da EF-118 é, portanto, uma responsabilidade ética e legal que o projeto deve observar com rigor.
Contudo, a sociedade capixaba não aceita mais que essa missão nobre seja utilizada como uma "cortina de fumaça" para a ineficiência administrativa. É preciso pontuar: os estudos arqueológicos já faziam parte do plano original. O surgimento de novas exigências após mais de uma década de discussões soa não como zelo, mas como um entrave burocrático inaceitável.
O tempo de planejamento — que deveria ter sido exaustivo nos primeiros anos — já se esgotou. A compatibilização técnica entre o progresso ferroviário e a preservação arqueológica deveria ser, à esta altura, uma página virada, não um obstáculo recorrente para postergar o início das obras.
O Tribunal de Contas da União analisa o projeto de concessão da EF-118 antes da publicação do edital de licitação. O Ministério dos Transportes informou que a nova política de concessões ferroviárias busca realizar o licenciamento prévio à licitação, evitando que gargalos burocráticos surjam após a adjudicação do contrato. A expectativa do ministério é de aprovação entre junho e julho de 2026.


Brasília — o horizonte de prazos
Diante da cobrança do único veículo capixaba presente no programa, o ministro George Santoro tentou acalmar os ânimos. Segundo o titular da pasta, a nova política pública de concessões ferroviárias busca evitar que novos gargalos surjam após a licitação, com a realização do licenciamento prévio antes do leilão.
O Ministério assegurou que o impasse com o IPHAN está endereçado e que o projeto encontra-se em fase de análise no Tribunal de Contas da União, com expectativa de aprovação entre junho e julho deste ano. A promessa é de que, após esse aval, o edital de concessão finalmente venha a público.
O ES 365 e o compromisso com a vigilância
A participação exclusiva do ES 365 na entrevista nacional não foi apenas um ato jornalístico, mas uma afirmação de soberania regional. Enquanto o Espírito Santo for tratado como coadjuvante nas decisões sobre sua própria infraestrutura, o portal seguirá ocupando esses espaços, cobrando prazos e expondo contradições.
Após 11 anos de espera, o apito do trem não é mais um sonho distante, mas uma cobrança urgente. O ES 365 assume, a partir de agora, o monitoramento constante dos trâmites no TCU. O Espírito Santo não aceita mais justificativas — o estado exige que o projeto EF-118 saia das gavetas dos ministérios e chegue, de uma vez por todas, ao solo capixaba.


