Instituto Reritiba

Um mergulho na história: projeto cultural resgata o patrimônio edificado de Anchieta-ES

A ação de salvaguarda do património histórico de Anchieta utiliza a pesquisa e a divulgação cultural para transformar edifícios emblemáticos em ferramentas de educação e turismo sustentável. O projeto destaca como a conservação de igrejas, casarões e monumentos é fundamental para manter viva a memória coletiva e fortalecer o sentimento de pertença dos moradores. O foco central é criar uma consciência de proteção que impeça a descaracterização urbana e valorize o legado arquitetónico da cidade.

Por Dhyovaine Nascimento

Anchieta, ES — A cidade de Anchieta, berço da fundação jesuíta no Espírito Santo, no ano de 2024 celebrou sua rica trajetória de 445 anos com o lançamento do projeto cultural “445 Anos de Resgate pela História de Anchieta-ES – Patrimônio Edificado”. A iniciativa, que transforma a história da cidade em um catálogo detalhado de seus bens culturais, é resultado de um edital de fomento à cultura.

O projeto é uma ação da Prefeitura de Anchieta, por meio da Gerência Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, e conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAP), do governo federal. O objetivo é valorizar a identidade cultural do povo anchietense, reforçando o compromisso de cuidar de seu maior tesouro: os bens culturais e sua história. O trabalho serve como uma ferramenta de educação patrimonial, ajudando a população a compreender e valorizar as belezas e a história de Anchieta. A intenção é que, por meio do conhecimento, as pessoas se sintam mais conectadas e motivadas a preservar o legado da cidade.

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Os talentos por trás da iniciativa

O projeto é uma colaboração de especialistas dedicados a Anchieta. A pesquisa histórica e a coordenação de pesquisa são do professor Ivan Petri Florentino , que possui vasta experiência na área e é mestre em Ciência, Tecnologia e Educação com ênfase em Patrimônio Histórico e Cultural. Ele já atuou como historiador no Museu Nacional de São José de Anchieta e na Casa da Cultura Angelina Lopes Assad. A proponente do projeto é Rudmilla S. Cavati , enquanto o apoio à coordenação é de Alessandra Barros. Toda a comunicação, incluindo a diagramação e editoração do folder, foi realizada pelo Instituto Reritiba, que leva o nome da antiga aldeia indígena Tupi que deu origem à cidade.

Para o historiador Ivan Petri Florentino, o resgate vai além do papel:

“Este conteúdo é um convite ao pertencimento. Ao documentar cada fachada, poço e monumento, estamos oferecendo à comunidade a oportunidade de ler a própria história gravada nas pedras e cal de nossa cidade. Não se preserva o que não se conhece, e nossa missão aqui foi traduzir séculos de história em uma ferramenta acessível de educação patrimonial.”

Uma jornada pelo tempo: os bens culturais edificados de Anchieta

O catálogo de patrimônio edificado do projeto inclui monumentos e construções que contam a história de Anchieta, desde a sua fundação como a aldeia de Reritiba, em 1579, até os dias atuais. Entre os destaques estão:

  • Monumento da Imigração Italiana “Piazza Degli Immigrant”
  • Pórtico de Entrada do Santuário Nacional de São José de Anchieta
  • Capela de Nossa Senhora da Penha
  • Santuário Nacional de São José de Anchieta
  • Hotel Anchieta (atual Centro Cultural Thiago Bezerra Leite)
  • Colégio Maria Mattos
  • Poço do Coimbra
  • Poço Abaré
  • Poço do Quitiba
  • Casa de Quarentena
  • Casarios
  • Casa da Cultura Angelina Lopes Assad
  • Ladeira Jacinto Mattos
  • As Ruínas Históricas do Rio Salinas

O papel fundamental do Instituto Reritiba

O Instituto Reritiba assumiu a comunicação visual, diagramação, carrossel e editoração do folder. O nome do instituto, inclusive, presta homenagem direta às raízes indígenas da região, reforçando o simbolismo do projeto.

Segundo Maria José dos Santos Cunha, representante do Instituto Reritiba destaca a importância dessa etapa:

“Nossa preocupação foi criar uma identidade visual que respeite a sobriedade e o valor do patrimônio e atrativa para as novas gerações. A diagramação foi pensada para que o leitor possa fazer um passeio visual pela cidade, conectando o texto histórico à beleza estética das edificações. Comunicar a história de Anchieta é, para nós, um ato de valorização das nossas raízes.”