Vitória, ES – O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), através da sua superintendência no Espírito Santo, realizou uma etapa do Projeto Andanças do Patrimônio no Sesc Glória, no dia 2 de outubro. O evento reuniu dezenas de promotores de cultura, com destaque para a participação do Instituto Reritiba e da Gerência de Cultura e Patrimônio Histórico de Anchieta, evidenciando o engajamento local na preservação cultural.

O Instituto Reritiba foi representado por Dhyovaine Nascimento, vice-diretor, e Maria José dos Santos Cunha, diretora administrativa financeira. Durante o evento, o vice-diretor expressou sua preocupação com a baixa adesão do Espírito Santo ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) da Cultura. “É fundamental que os cidadãos, por meio de instituições, possam cadastrar patrimônios caso os municípios não desenvolvam projetos”, afirmou, ressaltando a necessidade da atuação da sociedade civil. Ele também destacou a importância de uma colaboração mais ágil entre as esferas municipal, estadual e federal para o avanço dos projetos de reconhecimento patrimonial.
Durante sua fala, o vice-diretor Dhyovaine Nascimento pontuou que a percepção do Iphan por parte da sociedade ainda é muito ligada aos papéis de fiscalizador, legislador e impositivo. Ele argumentou que a instituição poderia adotar uma postura mais participativa e colaborativa nos territórios, atuando não apenas na fiscalização, mas promovendo ativamente formações e uma escuta mais próxima e eficiente junto às comunidades e instituições locais.


A diretora administrativa financeira do Instituto Reritiba, Maria José dos Santos Cunha, destacou a importância de todas as opiniões levantadas pelos promotores de cultura. Ela ressaltou que, para que a cultura possa se desenvolver de forma sustentável e gerar progresso econômico e social, é crucial investir na educação cultural dentro das escolas.
Maria José defendeu que eventos educativos e municipais precisam valorizar e dar mais atenção aos fazedores de cultura locais. Ela também enfatizou a necessidade de ligar a cultura ao marketing e à publicidade, tanto dentro quanto fora do estado, em níveis nacional e internacional.
“Vamos pensar naqueles que viajam pelo mundo”, disse ela, “portanto, é necessário um investimento e uma parceria estratégica com o setor de turismo para otimizar a divulgação da cultura em nível internacional. É essencial essa aliança entre cultura e turismo.”


De acordo com Joubert Jantorno Filho, Superintendente do Iphan-ES, o projeto “Andanças do Patrimônio” é uma iniciativa liderada pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (CGESP), dentro da estrutura do DAFE/Iphan. “O objetivo principal é estabelecer as bases do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (SNPC), em conjunto com detentores, fazedores e trabalhadores do patrimônio”, afirmou ele. Segundo ele, o projeto busca reunir uma ampla gama de participantes, incluindo grupos e comunidades, gestores de políticas públicas, pesquisadores, mestres, estudantes e organizações do setor, para aprofundar a discussão sobre como preservar e promover o patrimônio cultural.
“Nossa meta é construir as diretrizes e os principais pontos da agenda de políticas públicas para cuidar do nosso Patrimônio Cultural”, continuou Joubert Jantorno Filho. Ele destacou que essa abordagem participativa é crucial para que a agenda reflita as necessidades e realidades de todo o território nacional. “É um esforço coletivo para unificar as contribuições de todos os envolvidos, de modo que a política pública seja abrangente e representativa”, pontuou.
“O cronograma prevê a realização do Fórum Nacional Participativo do Patrimônio Cultural até março de 2026”, disse o superintendente. Esse evento representará o ápice de todo o processo, momento em que o Plano Nacional Setorial será validado e o novo marco legal do SNPC será assinado. Jantorno Filho reforçou ainda “que a expectativa é que o resultado do projeto seja um sistema mais coeso e democrático, capaz de fortalecer a atuação do Iphan e garantir que a preservação cultural se torne uma política de Estado contínua”.


O Instituto Reritiba expressa sua gratidão à Coordenação de Patrimônio na pessoa do coordenador, Ivan Petri Floretino da Gerência Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico do municipio de Anchieta pelo apoio na logística, que permitiu a participação de seus representantes no evento. Essa parceria demonstra o fortalecimento da colaboração entre as instituições, fundamental para a promoção e a valorização da cultura e do patrimônio na região.
O Projeto Andanças do Patrimônio é um convite aberto à participação para estabelecer as bases do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (SNPC). Em conjunto com detentores, fazedores e trabalhadores do patrimônio, queremos construir as diretrizes e os principais pontos da agenda de políticas públicas para cuidar de nosso Patrimônio Cultural. Reunindo grupos e comunidades, gestores de políticas públicas, pesquisadores, mestres e mestras, estudantes do campo, profissionais, organizações públicas e privadas atuantes na preservação e salvaguarda do Patrimônio Cultural, e toda a sociedade interessada, queremos ampliar a discussão sobre como preservar e promover nosso patrimônio.
Percorrendo os 26 estados e o Distrito Federal, o Andanças vai realizar diagnósticos, mobilizar atores, firmar acordos, discutir as competências e divisão de responsabilidades para a gestão e preservação do Patrimônio Cultural, culminando na formulação participativa do 1º Plano Setorial Nacional de Patrimônio Cultural e na constituição das diretrizes para o Marco Regulatório do SNPC, dois documentos fundamentais para o Sistema se consolidar. Quanto mais representativa e inclusiva for a escuta, mais alinhados e integrados estarão sociedade, governos e agentes privados na preservação do Patrimônio Cultural.
Crédito de fotos: Superintendência do Iphan-ES


































































