Instituto Reritiba

Instituto Reritiba, Salvamar e Grupo de Pesquisa SEED do Ifes-Campus Piúma unificam forças pela preservação do manguezal do Perocão, Guarapari (ES)

Em uma iniciativa histórica, o Instituto Reritiba de Desenvolvimento Social, Cultural e Ambiental, a associação Salvamar e o Grupo de Pesquisa de Sedimentologia e Dinâmica Ambiental (SEED) do Ifes-Campus Piúma realizaram, no último dia 20 de novembro, o início de uma parceria que promete fortalecer a preservação ambiental no Espírito Santo. O encontro, realizado na sede da Salvamar, no bairro Perocão, marcou o ponto de partida para ações conjuntas voltadas à regeneração do manguezal local e à avaliação de seu atual estado de conservação.

O principal objetivo foi promover sinergia entre as instituições, fomentando iniciativas que envolvam a população local na preservação ambiental e desenvolvam programas de educação ambiental voltados para pescadores, crianças e jovens. A Salvamar, que há mais de 20 anos interage com essas comunidades, se torna um elo estratégico para mobilizar a sociedade em torno da proteção desse ecossistema vital.

“O manguezal do Perocão não é apenas um ecossistema, mas uma fonte de vida, história e sustento para muitas famílias. Como gestores culturais, nosso compromisso é transformar conhecimento em ação, envolvendo pescadores, jovens e crianças para que se tornem guardiões desse patrimônio. A união entre nossas instituições é uma demonstração de que, juntos, podemos construir um futuro mais sustentável para a nossa região”, afirmou Dhyovaine Nascimento, vice-presidente do Instituto Reritiba.

História e ecologia: uma conexão essencial

Durante o encontro, a relevância histórica do manguezal também foi destacada. A historiadora Dr. Maria José dos Santos Cunha enfatizou a importância de proteger esses ambientes como um elo entre passado e presente.

“O manguezal do Perocão não carrega apenas biodiversidade; ele é um capítulo vivo da história de Guarapari. Esses ecossistemas foram cenários de culturas tradicionais que moldaram a identidade da nossa gente, desde os povos originários até as comunidades atuais. Quando cuidamos do manguezal, também estamos preservando a memória e os saberes que fazem parte da nossa herança cultural. Essa parceria é fundamental para conectar o passado, o presente e o futuro, garantindo que histórias e vidas não sejam apagadas”, ressaltou.

Salvamar: duas décadas de compromisso ambiental

Como uma das principais articuladoras dessa união, a associação Salvamar reafirmou sua dedicação à preservação dos manguezais. O presidente do instituto, Sebastião Carlos Machado, destacou a importância da colaboração para ampliar o alcance das ações já realizadas.

“A Salvamar nasceu da relação profunda que temos com o mar e com os manguezais. Há mais de 20 anos, buscamos sensibilizar pescadores, crianças e jovens sobre a importância desses ambientes. Este início de parceria nos fortalece para continuar esse trabalho, ampliando o alcance das nossas ações e unindo esforços com instituições que compartilham a mesma visão. Não estamos apenas protegendo um ecossistema; estamos garantindo que a vida continue pulsando em cada canto do manguezal”, declarou.

O começo de uma trajetória colaborativa

O encontro na sede da Salvamar representou um marco inicial com potencial de abrir caminho para um trabalho contínuo e impactante. Entre as ações planejadas estão oficinas de plantio de mudas, palestras educativas e programas de sensibilização voltados à comunidade local. O Prof. Dr. Marlon C. França, coordenador do Grupo de Pesquisa SEED, reforçou que a preservação dos manguezais está diretamente ligada ao desenvolvimento sustentável e às transformações ambientais necessárias para as próximas décadas.

“A participação da sociedade é essencial para garantir que cada semente plantada se transforme em um mar de vida, regenerando a biodiversidade e os serviços ecológicos que esse ambiente oferece”, afirmou.

O encontro também contou com a presença da estudante de doutorado Kimberley Westby, da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG, que trouxe contribuições acadêmicas relevantes para o fortalecimento dos planos futuros.

O manguezal do Perocão é mais do que um recurso ambiental; ele é um símbolo de esperança, união e resiliência. As ações das três entidades mostram que o futuro sustentável depende de parcerias que conectem pessoas, territórios e saberes.