Vozes dos Manguezais é destaque no 20º Congresso Brasileiro de Limnologia em Juiz de Fora (MG)
Comitiva do Ifes Campus Piúma apresenta avanços do projeto financiado pela Fapes e reforça o protagonismo científico do litoral sul do Espírito Santo


Representantes do Ifes Campus Piúma durante o 20º Congresso Brasileiro de Limnologia, realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora
| Evento | 20º Congresso Brasileiro de Limnologia |
| Tema principal | Água, ciência, gestão e política |
| Data | 20 a 24 de julho de 2026 |
| Local | Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) |
| Instituição capixaba | Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) — Campus Piúma |
| Coordenação da comitiva | Prof. Dr. Marlon Carlos França |
| Projeto em destaque | Vozes dos Manguezais (financiamento Fapes) |
Litoral sul do ES em evidência na ciência nacional
O litoral sul do Espírito Santo esteve em evidência no cenário científico nacional durante o 20º Congresso Brasileiro de Limnologia, realizado entre os dias 20 e 24 de julho de 2026, na Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Com a temática principal voltada para a água, ciência, gestão e política, o evento reuniu estudantes, pesquisadores, empresas e membros da sociedade civil em torno dos diversos debates da área.


Comitiva capixaba durante os trabalhos do congresso
Comitiva do Ifes Piúma leva rigor científico e engajamento social
A comitiva capixaba contou com a participação do grupo de pesquisa de sedimentologia e dinâmica ambiental e do laboratório de oceanografia e clima do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no campus Piúma. Coordenado pelo professor e doutor Marlon Carlos França, o grupo levou para o congresso avanços cruciais que unem o rigor metodológico, a formação de recursos humanos e o engajamento social.
O ponto alto da atuação institucional esteve centrado na apresentação dos resultados e planos do projeto “Vozes dos Manguezais”, iniciativa do Ifes Piúma financiada pela Fapes.


Apresentação de resultados do projeto Vozes dos Manguezais


Mesa redonda sobre ecossistemas costeiros e pagamento por serviços ambientais
Dados científicos a favor das comunidades costeiras
Integrando uma mesa redonda voltada aos ecossistemas costeiros e ao pagamento por serviços ambientais (PSA) como instrumento de conservação, a iniciativa destacou-se por demonstrar como a geração de dados científicos para as comunidades costeiras atua como ferramenta essencial para estimular o PSA, promovendo a preservação ambiental e a valorização das comunidades tradicionais.
“A geração de dados científicos para as comunidades costeiras atua como ferramenta essencial para estimular o pagamento por serviços ambientais, promovendo a preservação ambiental e a valorização das comunidades tradicionais.”
Dois mil anos de história registrados no delta do Rio Doce
O protagonismo da delegação estendeu-se por múltiplas frentes técnicas e acadêmicas de grande relevância no evento. O laboratório apresentou um painel detalhando um estudo sobre a evolução da vegetação costeira em uma região do delta do Rio Doce ao longo de um período de cerca de 2.000 anos, buscando responder a indagações fundamentais sobre as mudanças climáticas e as variações do nível do mar.


Painel sobre a evolução da vegetação costeira do delta do Rio Doce


Discussão sobre mudanças climáticas e variações do nível do mar
Reconhecimento acadêmico para pesquisa de doutorado
O congresso também foi palco de reconhecimento acadêmico com a menção honrosa concedida a um trabalho de doutorado desenvolvido pela estudante Kimberly. A pesquisa, conduzida na Universidade Federal de Juiz de Fora sob a orientação do professor Nathan Barros e coorientação de Marlon França, recebeu destaque e premiação durante a programação.


Momento de premiação do congresso


Menção honrosa concedida ao trabalho de doutorado


Orientadores e pesquisadores durante o reconhecimento acadêmico
Economia azul e biodiversidade em debate
Na agenda de debates, o professor Marlon França presidiu a mesa redonda dedicada à economia azul e biodiversidade, que abordou desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável, englobando inovação, tecnologia, sustentabilidade, inclusão e governança. A mesa contou com quatro palestras de pesquisadores renomados.
| Palestrante | Tema abordado |
|---|---|
| Prof. Tauan dos Santos (Escola de Guerra Naval) | Panorama internacional e contexto brasileiro da economia azul |
| Prof. Alexander Turra | Amazônia Azul a partir de vivência recente no rio Tapajós |
| Profa. Andréa Junqueira | Considerações sobre espécies invasoras |
| Prof. Marlon França (Ifes Piúma) | Amazônia Azul e economia azul, limnologia, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável |


Mesa redonda sobre economia azul e biodiversidade


Prof. Marlon França conduz o debate sobre desenvolvimento sustentável


Público acompanha a mesa redonda no auditório
Consolidação da pós-graduação capixaba
A repercussão da participação consolida o desenvolvimento da pós-graduação do Ifes Campus Piúma, que abriga o primeiro mestrado da América Latina com a temática de Economia Azul e Biodiversidade. Para os pesquisadores, a presença no congresso valida uma trajetória sólida pautada em projetos estruturados, capacitação de recursos humanos e investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura de laboratório para impulsionar a ciência na região.
“A presença no congresso valida uma trajetória sólida pautada em projetos estruturados, capacitação de recursos humanos e investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura de laboratório.”


Delegação do Ifes Campus Piúma durante o encerramento do 20º Congresso Brasileiro de Limnologia
O que é Limnologia?
Limnologia é a ciência que estuda os ecossistemas aquáticos continentais, como lagos, rios, reservatórios, lagoas, brejos, pântanos e áreas úmidas, abordando suas características biológicas, físicas, químicas e geológicas.
É uma ciência multidisciplinar que estuda não apenas a composição e o funcionamento das águas interiores, mas também as interações entre os ecossistemas terrestres e aquáticos, os ciclos hidrológicos e os processos de escala regional e global, integrando conhecimentos de ecologia, hidrologia, geociências, meteorologia e sensoriamento remoto.
O Brasil, com sua vasta diversidade de corpos d’água e bacias hidrográficas, ocupa posição de destaque no cenário internacional da limnologia, contribuindo com pesquisas essenciais para a compreensão, conservação e gestão sustentável dos ecossistemas aquáticos continentais.
As principais áreas de investigação incluem:
- Caracterização física e química da água — nutrientes, oxigênio dissolvido, temperatura, pH e processos de eutrofização;
- Classificação trófica de corpos d’água, de oligotróficos (baixa produtividade) a eutróficos (alta produtividade);
- Dinâmica das comunidades aquáticas — fitoplâncton, zooplâncton, invertebrados bentônicos, peixes, macrófitas, algas e microrganismos;
- Ciclos biogeoquímicos, com ênfase em carbono, nitrogênio e fósforo;
- Processos e interações ecológicas, como produção primária, decomposição, reciclagem de nutrientes e relações tróficas;
- Qualidade da água e monitoramento de impactos ambientais, considerando poluição, represamento, desmatamento e mudanças no uso do solo.
A limnologia é essencial para o manejo sustentável da água, o controle da qualidade ambiental, a preservação da biodiversidade aquática e a gestão integrada dos recursos hídricos, além de subsidiar políticas públicas voltadas à conservação dos ecossistemas aquáticos continentais.
No Brasil, a ciência consolidou-se com a contribuição de pesquisadores estrangeiros e brasileiros, decisiva para os primeiros levantamentos sistemáticos dos ecossistemas aquáticos continentais do país. A partir da década de 70, surgiram os primeiros grupos de pesquisa estruturados, com projetos integrados, intercâmbio com instituições estrangeiras e programas de pós-graduação voltados à ecologia aquática.
Texto: Dhyovaine Nascimento
Fonte: Ifes Campus Piúma / 20º Congresso Brasileiro de Limnologia
Fotos: Divulgação Ifes Campus Piúma


