O projeto “Restaurando a paisagem usando a natureza e as pessoas” busca transformar a Lagoa Pomar, em Subaia, Anchieta (ES), em um incentivo de recuperação ambiental e integração comunitária. Liderado pelo Instituto Reritiba de Desenvolvimento Social, Cultural e Ambiental, o projeto une esforços para reflorestar, limpar e proteger o entorno do lago, além de conscientizar a população local sobre a importância de preservar o meio ambiente.
Melhorando a qualidade ambiental da Lagoa Pomar
A Lagoa Pomar é um remanescente importante da rica biodiversidade que outrora caracterizou a região. Com nascentes que alimentam suas águas ao longo do ano, mesmo durante períodos de estiagem, a lagoa se destaca como um refúgio natural para a fauna e flora. No entanto, a ação humana, como a abertura de rodovias e o desmatamento, comprometeu seriamente o ecossistema local. A redução de espécies nativas, incluindo jacarés e lontras, ressalta a necessidade urgente de intervenções para restaurar o equilíbrio ecológico.
O projeto inclui o plantio de espécies florestais nativas, a limpeza e o isolamento da área perimetral do lago. Além disso, será estabelecido um viveiro comunitário de mudas para identificar e multiplicar as espécies nativas remanescentes. Essa iniciativa busca não apenas recuperar o ambiente, mas também envolver os moradores em uma ação conjunta de cuidado e preservação.
Para Dhyovaine Nascimento, vice-diretor do Instituto Reritiba e integrante da família proprietária da área onde se encontra a lagoa, a restauração do local é também uma causa pessoal. Ele explica que o espelho d’água vem sofrendo os efeitos diretos do desmatamento nas encostas e pastagens vizinhas, o que tem provocado o assoreamento progressivo da lagoa.
“A lagoa está sendo tomada por barro e areia em excesso. As chuvas descem dos morros e dos pastos desprotegidos, e o escoamento vindo da ES-060, na altura do km 87, carrega tudo para o córrego que desemboca aqui. Em muitos trechos, já não há árvores para segurar o solo, e isso acelera a degradação”, afirma Dhyovaine.
Segundo ele, a recuperação da paisagem passa pela recomposição vegetal das margens e pela adoção de práticas que unam moradores, poder público e instituições ambientais em torno do mesmo propósito: restaurar a lagoa como espaço vivo, simbólico e educativo para toda a comunidade.
A comunidade como protagonista
Um dos pilares do projeto é a mobilização social. O Instituto Reritiba promove ações de comunicação para conscientizar os moradores sobre a relevância de preservar a Lagoa Pomar, destacando seu papel como fonte de biodiversidade e lazer para a comunidade. Atividades educativas e mutirões reforçam a importância da participação de todos para garantir o sucesso da iniciativa.
A criação do viveiro comunitário é um exemplo claro de como a comunidade pode ser protagonista da transformação ambiental. Os moradores trabalharão lado a lado para cultivar mudas e recuperar as espécies nativas que, um dia, deram nome aos sítios históricos da região, como Pomar, Limoeiro e Jacarandá.
Reflorestando para um futuro sustentável
O reflorestamento da Lagoa Pomar vai além da simples recuperação ambiental. Ele propõe o planejamento de um ecossistema sustentável, onde as espécies vegetais e animais sejam compatíveis com o solo e o clima local. As ações incluem:
- Repovoamento de espécies nativas: Seleção cuidadosa de vegetais e animais para criar um ecossistema equilibrado.
- Educação ambiental: Sensibilização dos moradores e visitantes sobre a importância da preservação.
- Proteção e manutenção: Criação de barreiras físicas para evitar ações degradantes na área.
Uma paisagem que inspira
O projeto também visa recuperar o significado cultural e histórico da Lagoa Pomar, que já foi um símbolo da riqueza natural da região. Com sua implementação, espera-se não apenas restaurar a paisagem, mas também inspirar outras comunidades a adotar iniciativas semelhantes, promovendo uma convivência harmoniosa entre o ser humano e a natureza.
O Instituto Reritiba reafirma seu compromisso com o meio ambiente, cultura e desenvolvimento social, mostrando que é possível unir esforços para construir um futuro mais sustentável.


