
Anchieta (ES) – Considerado um dos ecossistemas mais produtivos do planeta, o manguezal de anchieta conta hoje com um aliado fundamental para sua longevidade: o viveiro municipal. o trabalho de reprodução assistida de espécies nativas tornou-se o pilar central para garantir que o “berçário do mar” continue a proteger a costa e a sustentar a biodiversidade marinha da região. Essa produção de mudas é peça-chave para o projeto Vozes dos Manguezais, iniciativa que une a recuperação ambiental ao fortalecimento da identidade e conservação desse ecossistema em Guarapari(ES).
De acordo com dados detalhados por Roberta Belshoff Sangali, coordenadora do viveiro municipal de Anchieta (ES), a produção de mudas em ambiente controlado é a estratégia mais eficaz para enfrentar os desafios da recuperação ambiental. O processo, que envolve desde a coleta cuidadosa de propágulos até o manejo técnico no viveiro, visa assegurar a vitalidade e a adaptação ecológica das plantas antes de serem inseridas no solo definitivo.
Tecnologia a serviço da natureza
O sucesso do reflorestamento não depende apenas do plantio, mas da qualidade do material vegetal. Roberta Belshoff Sangali detalha que a metodologia adotada em Anchieta é rigorosa, utilizando substrato nativo para que as mudas desenvolvam resiliência desde os primeiros estágios. A estrutura do viveiro, equipada com sistemas de irrigação e sombreamento, simula as condições ideais para o crescimento das espécies.
Indicadores de sucesso: o desempenho das espécies
Os dados levantados pela coordenação mostram que o investimento técnico tem gerado resultados sólidos. A análise das três principais espécies de mangue revela um panorama de eficiência e superação de desafios naturais:
- Mangue-vermelho (Rhizophora mangle): com 600 mudas produzidas e uma perda inferior a 20%, esta espécie é o principal destaque em eficiência, demonstrando o acerto nos métodos de cultivo adotados.
- Mangue-branco (Laguncularia racemosa): o viveiro alcançou a marca de 500 mudas. apesar de uma perda natural próxima a 50%, a produção garante um volume importante de plantas viáveis para ações de recuperação.
- Mangue-preto (Avicennia schaueriana): espécie com menor oferta de sementes na natureza, teve 17 mudas produzidas. O destaque aqui foi a sobrevivência, com apenas 3 perdas registradas.


O reforço do manguezal
A iniciativa é vital para o fortalecimento do manguezal de Anchieta, um dos mais preservados do Espírito Santo. Ao produzir mudas com alta capacidade de sobrevivência, o viveiro municipal não apenas recupera áreas degradadas para Guarapari, mas reforça a população de árvores que funcionam como filtros biológicos e barreiras naturais contra a erosão.
“A iniciativa busca aprimorar técnicas que assegurem o sucesso no estabelecimento das mudas em campo”, explica Roberta Belshoff Sangali, reforçando que o trabalho técnico é a ponte necessária entre a degradação e a restauração plena do ecossistema.
Para acompanhar o progresso do projeto “Vozes dos Manguezais”, acesse o link https://reritiba.com/vozesdosmanguezais


