Instituto Reritiba

Museus que unem o Espírito Santo

Dezesseis espaços que preservam memórias, fortalecem identidades e ampliam diferentes vozes da cultura capixaba

Por Dhyovaine Nascimento

Na 24ª Semana Nacional dos Museus, celebrada entre 18 e 24 de maio com o tema “Museus: Unindo um Mundo Dividido”, o Instituto Reritiba reuniu dezesseis espaços espalhados pelo Espírito Santo que preservam memórias, fortalecem identidades e ampliam diferentes vozes da cultura capixaba.

1. Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) — Vitória

MUCANE – Museu Capixaba do Negro Verônica da Pas  Foto: Divulgação/ PMV

Criado em 1983 a partir da mobilização do Movimento Negro, o Mucane é reconhecido como o primeiro museu do país dedicado à população afrodescendente. Muito além das exposições, o espaço desenvolve oficinas, pesquisas e ações educativas que fortalecem o diálogo entre cultura, identidade e participação social, reafirmando seu papel como lugar de memória, pertencimento e resistência.

2. Museu Solar Monjardim — Vitória

Localizado entre os bairros Santa Cecília e Jucutuquara, em Vitória Foto: Divulgação

Único museu federal do Espírito Santo, o Solar Monjardim é instalado no antigo casarão da Fazenda Jucutuquara, cujas origens remontam à década de 1780. Primeiro edifício tombado em nível nacional no estado, em 1940, reúne peças do cotidiano de uma família da elite do século XIX e é referência da arquitetura rural colonial brasileira.

3. Museu do Colono — Santa Leopoldina

Museu do Colono, localizado no município de Santa Leopoldina Foto: Governo ES

Com mais de 180 anos de história, o Museu do Colono ocupa a antiga residência da família austríaca Holzmeister, uma das fundadoras do município. Construído em 1877 e transformado em museu em 1969, o casarão reúne mais de 600 peças — esculturas, cristais, porcelanas, móveis, documentos e fotografias que proporcionam ao visitante uma viagem ao século XIX. A entrada é gratuita, com visitação de terça a domingo, das 8h30 às 20h.

4. Museu São Pedro de Alcântara do Itabapoana — Mimoso do Sul

Museu São Pedro de Alcântara do Itabapoana Foto: Divulgação

Instalado em um casarão histórico construído pela família Silveira durante o período áureo do café, o museu transporta o visitante ao antigo ciclo cafeeiro capixaba. Camas, espelhos, pratarias, aquarelas e frascos da antiga farmácia recriam o cotidiano da época. O imóvel integra o Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana, um dos cenários mais preservados do sul do estado.

5. Museu das Grandes Guerras — Afonso Cláudio

Localizado na ES-484, o museu conta a história da I e II Guerra Mundial. Foto: Descubra Afonso Cláudio

Um dos espaços culturais mais singulares do interior capixaba, o museu reúne peças históricas relacionadas aos grandes conflitos mundiais do século XX. Mais do que objetos de guerra, o espaço convida o visitante a conhecer diferentes narrativas sobre transformações sociais e impactos humanos de um dos períodos mais marcantes da história.

6. Espaço Cultural Palácio Anchieta — Vitória

Com mais de quatro séculos de história, o Palácio Anchieta é um dos maiores símbolos culturais capixabas. Em um único espaço, reúne diferentes estilos arquitetônicos e um acervo que contempla o patrimônio arqueológico e artístico do estado, além de exposições temporárias locais, nacionais e internacionais.

7. Centro de Interpretação Santuário Nacional de Anchieta — Anchieta

 Santuário Nacional de São José de Anchieta, formado pela Igreja de Nossa Senhora da Assunção e áreas da antiga residência jesuíta  Foto: Divulgação

Localizado no Santuário Nacional de São José de Anchieta, o centro conecta patrimônio, memória, espiritualidade e tecnologia para contar a trajetória de Anchieta e da presença jesuíta no estado. Salas temáticas, objetos históricos e recursos interativos se combinam a uma experiência em holomask com Anchieta recitando trechos de seus escritos e uma saudação em língua tupi.

8. Centro de Interpretação Fazenda de Araçatiba — Viana

Centro de Interpretação Fazenda de Araçatiba — Viana

Inaugurado em 2026, o espaço integra a histórica Igreja Nossa Senhora d’Ajuda, construída no século XVIII, e apresenta ambientes com experiências interativas e sala imersiva. O projeto fortalece a preservação da herança jesuítica e da comunidade quilombola local, ampliando o diálogo entre patrimônio, identidade e pertencimento.

9. Centro de Interpretação Aldeia de Reis Magos — Serra

Igreja dos Reis Magos: entre o mar e as memórias capixabas Foto: Divulgação

Entre o mar, a história e a memória dos povos originários, o centro convida os visitantes a descobrirem a formação histórica e cultural da região. O espaço valoriza a memória da antiga Aldeia de Reis Magos — importante ponto da presença jesuíta e das relações entre colonizadores e povos indígenas — com uma proposta expositiva dinâmica e educativa.

10. Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) — Vitória

Museu de Arte do Espírito Santo, Vitória, Espírito Santo – Foto: Paul R. Burley

Localizado no coração de Vitória, o MAES é um dos principais espaços dedicados à produção artística e cultural capixaba. Exposições, acervos e diferentes manifestações artísticas revelam a trajetória da arte no estado e destacam obras de artistas locais, em um encontro entre tradição, contemporaneidade e diversidade cultural.

11. Museu Municipal de São Mateus — São Mateus

Entre casarões históricos e as margens do Rio Cricaré, o museu preserva registros, objetos e narrativas que revelam diferentes fases da formação de uma das cidades mais antigas do Espírito Santo. Fotografias, mobiliário e peças do cotidiano contam sobre as transformações sociais e econômicas da região ao longo do tempo.

12. Museu Histórico de Regência — Linhares

Antigo Farol de referência para as embarcações Foto: Adailton Alcper

Localizado em Regência, distrito de Linhares, o museu reúne objetos, registros e memórias da comunidade ribeirinha do norte capixaba. O espaço preserva elementos ligados ao cotidiano da vila, às tradições do Rio Doce e ao congo, fortalecendo a conexão entre patrimônio, território e identidade cultural.

13. Gruta do Limoeiro — Castelo

Pesquisas comprovam vestigios da presença humana na gruta do limoneiro há 5 mil anos. No seu interior, há vários salões e passagens estreitas e diversas formações originadas pela solidificação de água ao longo de milhares de anos. Foto: Vitor Jubini/ MTUR

Uma das cavernas mais importantes do patrimônio natural e arqueológico capixaba, a Gruta do Limoeiro reúne natureza, ciência e memória em uma experiência única. Conhecida por sua relevância arqueológica e paleontológica, preserva vestígios que ajudam a compreender diferentes períodos da ocupação humana e das transformações naturais da região.

14. Museu da Imigração — Marechal Floriano

O espaço abriga aproximadamente 80 peças históricas, incluindo utensílios domésticos e arte sacra dos séculos XIII a XX

Situado na antiga estação ferroviária de Marechal Floriano, no coração das Montanhas Capixabas, o museu preserva histórias das famílias imigrantes alemãs e italianas que ajudaram a construir a identidade cultural da região serrana. Documentos, fotografias, objetos e uma coleção sacra revelam a riqueza dessa herança europeia no estado.

15. Casa de Cultura Roberto Carlos — Cachoeiro de Itapemirim

Casa de Cultura Roberto Carlos, em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, Brasil.

Um dos espaços culturais mais afetivos do Espírito Santo, o local funciona na casa onde Roberto Carlos viveu parte da infância. Fotografias, objetos, discos e registros contam a trajetória de um dos maiores nomes da música brasileira, transformando Cachoeiro de Itapemirim em destino obrigatório para fãs de todo o país.

16. Museu de Arte Sacra — Cachoeiro de Itapemirim

A igreja em si funciona como um verdadeiro museu vivo. Seu interior possui uma rica composição de estilo barroco, com altares, imagens históricas e detalhes em madeira que fazem parte da cultura e da memória da cidade.

Localizado na Igreja de Nosso Senhor dos Passos, o museu abriga peças barrocas e objetos religiosos de grande valor histórico para o sul do estado. Uma coleção que reúne séculos de devoção em um espaço de silêncio, contemplação e beleza singular.

Instituto Reritiba celebra a Semana Nacional de Museus com programação digital e audiovisual no Espírito Santo

O Instituto Reritiba, localizado no Espírito Santo, integra nesta semana o calendário cultural brasileiro ao participar da 24ª Semana Nacional de Museus (SNM), realizada entre os dias 18 e 24 de maio. A instituição capixaba entra na programação com uma série de vídeos, conteúdos textuais, produções audiovisuais e posts para redes sociais, levando ao público local e digital a reflexão sobre o papel dos museus na construção de pontes entre culturas e povos.

A participação do Reritiba acompanha o movimento nacional coordenado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura. Nesta edição, a Semana atinge proporções históricas: são 1.004 museus participantes distribuídos por 401 municípios, em todos os 26 estados e no Distrito Federal, com 3.066 atividades inscritas ao longo dos sete dias de programação.

Um tema para os tempos atuais

O mote que orienta as ações deste ano — “Museus: unindo um mundo dividido” — foi escolhido pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), organismo responsável por definir anualmente o tema do Dia Internacional dos Museus, celebrado em 18 de maio. A data foi criada pelo próprio ICOM em 1977 com o objetivo de sensibilizar a sociedade para o papel dessas instituições como espaços essenciais de intercâmbio cultural e de desenvolvimento da compreensão mútua entre os povos.

Em 2025, o tema ganha peso diante de um cenário global marcado por tensões geopolíticas, fragmentação social e desafios à diversidade. A proposta é que museus — de pequenos institutos regionais a grandes complexos nacionais — se posicionem como agentes ativos de diálogo, paz e coesão social.

“Os museus deixam de ser apenas espaços de contemplação para se tornarem territórios de aprendizado coletivo e construção de cidadania”, afirma o Ibram em nota oficial sobre a edição.

Acesso democrático à cultura

Um dos pontos mais expressivos da 24ª SNM é o compromisso com a acessibilidade: 94% das atividades cadastradas são gratuitas. O dado reforça a vocação pública dos museus brasileiros e a intenção de romper barreiras econômicas que ainda afastam parcelas da população do patrimônio cultural do país.

A programação nacional é variada e abrange 513 exposições, além de centenas de visitas mediadas, ações educativas, oficinas, palestras, exibições de filmes e apresentações culturais — um mosaico que contempla diferentes perfis de público, de crianças a pesquisadores.

Reritiba no mapa da cultura capixaba

Ao aderir à campanha, o Instituto Reritiba reafirma seu lugar no tecido cultural do Espírito Santo e sua conexão com as diretrizes nacionais de preservação e difusão do patrimônio. A produção de conteúdo digital — vídeos, audiovisuais e posts — durante os sete dias da Semana amplia o alcance da iniciativa para além das paredes físicas da instituição, democratizando o acesso à memória e à identidade cultural da região.

O nome Reritiba carrega em si uma herança histórica: é o nome original do município de Anchieta, no litoral sul capixaba, derivado do língua tupi e associado à presença dos povos originários e à história da colonização jesuítica no Brasil. Uma instituição que se nomeia assim já anuncia, em seu próprio título, o compromisso com a memória e com o diálogo entre tempos e culturas — exatamente o que o tema deste ano convoca.

Semana Nacional de Museus: 24 anos de história

Criada em 2003 pelo Ibram, a Semana Nacional de Museus é hoje um dos maiores eventos culturais do calendário brasileiro. Ao longo de mais de duas décadas, consolidou-se como uma plataforma de visibilidade para instituições de todas as regiões do país — das grandes capitais às cidades do interior —, contribuindo para a valorização do setor museológico e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento cultural da população.

A 24ª edição confirma a tendência de crescimento e alcance do evento, que ano a ano incorpora mais instituições, diversifica formatos e aprofunda o diálogo com a sociedade.


A programação completa da Semana Nacional de Museus pode ser acessada pelo site do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). As ações do Instituto Reritiba estão disponíveis nas redes sociais da instituição.

https://www.gov.br/museus/pt-br