Instituto Reritiba

A voz da consciência: comunicação como motor da restauração de manguezais em Guarapari (ES)

Com a união entre rigor científico e engajamento comunitário, o projeto “Vozes dos Manguezais” transforma a preservação ambiental em um legado compartilhado entre cientistas e moradores de Guarapari e Anchieta.

GUARAPARI (ES) – A restauração de um ecossistema complexo como o manguezal exige mais do que biotecnologia; exige que a comunidade local entenda e proteja o solo onde vive. Esta é a premissa que guia o projeto “Vozes dos Manguezais de Guarapari (ES): Diagnóstico e Ações para a Proteção e Conscientização”, uma iniciativa financiada pela FAPES/SEAMA (Edital nº 13/2024) que está redefinindo a conservação ambiental no Espírito Santo.

É importante ressaltar que todo este balanço de atividades e o expressivo alcance mediático refletem apenas os primeiros cinco meses (julho à novembro) de execução do projeto. Este período inicial, marcado pelo estabelecimento de parcerias estratégicas e pelo lançamento das plataformas de comunicação, serviu como o alicerce para as próximas fases de expansão, consolidando o “Vozes dos Manguezais” como uma iniciativa de rápido impacto e alta eficiência na gestão de recursos socioambientais no Espírito Santo.

A comunicação como “Força Motriz”

Para Dhyovaine Nascimento, especialista em comunicação cultural-ambiental e vice-diretor do Instituto Reritiba, a comunicação não é apenas um acessório, mas o coração do projeto. Sua abordagem foca em traduzir o conhecimento acadêmico para uma linguagem que gere identificação e pertencimento na população local.

“A comunicação é a força motriz que leva o conhecimento do viveiro para a mesa de discussão das famílias”, afirma Dhyovaine. Segundo ele, ao dar transparência a etapas como o cultivo de mudas e o plantio — disponíveis no portal oficial reritiba.com/vozesdosmanguezais — o projeto transforma moradores em “verdadeiros protetores e guardiões do ecossistema”.

Resultados que ecoam: ciência e comunidade

O projeto já apresenta marcos significativos em sua trajetória:

  • Diagnóstico e pesquisa de campo: Entre os dias 1 e 5 de setembro de 2025, uma missão científica percorreu a RDS Concha da Ostra e os rios Una e Perocão para coletar dados geoquímicos e paleontológicos, essenciais para guiar a restauração em escala nacional.
  • Produção de mudas: O trabalho começa na germinação, com a colaboração estratégica da equipe da RDS Papagaio, em Anchieta, que atua desde as fases iniciais de manejo das sementes até o suporte nas ações de conscientização.
  • Engajamento digital e educativo: A estratégia de comunicação já produziu conteúdos robustos, incluindo um Podcast (Vozes dos Manguezais Cast) com cinco episódios lançados e 12 conteúdos informativos/educativos de alto impacto nas redes sociais, abordando temas desde a química do mangue (tanino) até a fitossociologia do ecossistema.
  • Alcance institucional: A iniciativa ultrapassou fronteiras, com comunicados enviados a mais de 112 endereços de e-mail, incluindo autoridades federais, estaduais e organizações internacionais como a Global Mangrove Alliance e a Mangrove Action Project.

Um legado de zeladoria

O sucesso da iniciativa sob a coordenação do Prof. Dr. Marlon Carlos França demonstra que a ciência, quando aliada ao saber popular, cria estratégias de preservação muito mais resilientes. O projeto estabelece um ciclo de zeladoria que começa no viveiro de mudas de Guarapari e se estende até o plantio definitivo em áreas como Perocão.+3

Ao integrar pesquisadores do IFES (Campus Piúma) e da UFES com a comunidade, o “Vozes dos Manguezais” garante que a informação processe um elo vital: o conhecimento científico torna-se uma ferramenta de cidadania, assegurando que o “Patrimônio Vivo” que são os manguezais capixabas continue a respirar pelas próximas gerações.

Para acompanhar o progresso do projeto “Vozes dos Manguezais”, acesse o link https://reritiba.com/vozesdosmanguezais