UMA CULTURA RICA E DIVERSIFICADA
Eis, em destaque, alguns dos principais pontos que embasam nossa solicitação:
- Sítios Arqueológicos dos povos originários (Sambaquieiros, outros povos pré-históricos e assentamentos do período de contato e históricos): Anchieta possui dezenas de sítios arqueológicos, entre os quais sambaquis que são testemunhos da presença humana mais antiga do Brasil, milhares de anos antes da chegada dos povos Tupis ao território do nosso município. A falta de proteção e reconhecimento público coloca em risco esses vestígios, que são fundamentais para a pesquisa e para a compreensão de nossa história mais antiga.
- Santuário Nacional de São José de Anchieta: Sede da missão de N. S. da Assunção é um bem tombado em nível federal, o Santuário é o coração do primeiro núcleo de desenvolvimento econômico e político de nossa história. Ele demanda uma gestão e um plano de preservação que só podem ser efetivados com o apoio de uma secretaria municipal que atue em parceria com as esferas federal e estadual.
- Capela da Penha, Capela Nossa Senhora do Carmo (Joeba) e Santa Bárbara (Córrego da Prata): Estas edificações centenárias marcam espaços e comunidades históricas.
- Chaminé da antiga usina de açúcar de Jabaquara, importante testemunho histórico e arquitetônico da fase de industrialização do município. Embora a usina em si já não exista, a chaminé se mantém como um marco visual e cultural da região.
- Ruínas do rio Salinas, o sítio que começou no período da missão jesuíta para produção de sal e foi reconvertida em engenho não possuem o devido reconhecimento público. A criação da Secretaria permitiria a implementação de projetos de aproveitamento e conservação, evitando a destruição e o esquecimento.
- Casa de Quarentena a antiga sede de fazenda está diretamente ligada ao início da imigração italiana no Espírito Santo. O casarão, que é um bem tombado pela Secretaria Estadual de Cultura é hoje uma ruína pelo abandono ao qual foi entregue, sendo um dos mais importantes marcos desse período para o município.
- Colégio Maria Mattos: seu papel de fundamental relevância não só para o município, mas para a história da educação no Espírito Santo, sendo um marco na formação de gerações de mulheres.
- Busto dedicado ao Padre José de Anchieta, inaugurado por ocasião do 1º Centenário da Independência do Brasil, em 1922, é um marco cívico de grande importância para o município. Seu significado e localização ligam o passado de pilar da história brasileira ao presente.
- Estátua e conjunto escultórico alusivo à vida e obra de São José de Anchieta, este conjunto monumental lembra as etapas da vida de São José de Anchieta e sua conexão com a cidade.
- Estátua de Mestre Valentim, importante figura da cultura popular de raiz africana. Valentim Manoel dos Santos, líder cultural e mestre do jongo da comunidade de São Mateus. Seu reconhecimento estadual e nacional em favor da cultura é lembrado pelas premiações “Mestre da Cultura Popular do Brasil” e “Mestre da Cultura Popular do Estado do Espírito Santo.
- Os Poços e fontes Jesuíticas. Anchieta abriga três destas edificações públicas de origem jesuítica, que são exemplos notáveis da engenharia e do cotidiano da época colonial. Eles representam a capacidade de adaptação e a busca por recursos essenciais para a vida na comunidade preservando a água potável e contribuindo para a proliferação de doenças transmissíveis pela água com sujidade. Exemplos vivos dos esforços de saneamento básico sofrem com a falta de reconhecimento e proteção. A preservação desses sítios é fundamental para a educação, compreensão da vida quotidiana anchietense do Brasil colônia.
- O Centro de Interpretação, em anexo ao Santuário Nacional de São José de Anchieta, o Centro de Interpretação é uma iniciativa para a valorização do patrimônio histórico e cultural do município. Ele funciona. Nele se cruzam a história da figura do fundador da missão jesuítica, seu legado para o Brasil e a história dos povos indígenas e da história da religião no Brasil.
- Patrimônio imaterial e diversidade cultural: Anchieta é um caldeirão de culturas. A cultura italiana em várias comunidades, a cultura afrodescendente em São Mateus, a cultura portuguesa em Belo Horizonte, e as diversas manifestações como os grupos de danças, congos e devoções como a de São Benedito e as caminhadas, necessitam de um órgão que as reconheça, fomente e promova. O Centro de Interpretação e outras iniciativas culturais existentes precisam de apoio institucional para crescerem e se consolidarem
- A lenda da Jaraguá é uma das mais importantes tradições de Anchieta, enraizada na cultura local, especialmente nas comunidades pesqueiras e ribeirinhas. A Jaraguá é uma figura mítica, descrita como uma criatura do mar que surge para assombrar pescadores ou para proteger a natureza e os rios.
- Anchieta – A capital da moqueca capixaba: Anchieta se orgulha de ser reconhecida como a Capital da Moqueca Capixaba, um título que ressalta sua importância na gastronomia e na cultura do Espírito Santo. A moqueca, prato tradicional e ícone da culinária capixaba, é preparada em Anchieta seguindo a receita original, com ingredientes frescos e um tempero que reflete a herança caiçara e a abundância do litoral. Esse reconhecimento gastronômico não só atrai turistas, mas também fortalece a identidade cultural da cidade, celebrando uma tradição que é passada de geração em geração.
- Comida caiçara – sabor e tradição: A culinária de Anchieta é profundamente influenciada pela comida caiçara, que representa a fusão de sabores e saberes dos povos indígenas, africanos e europeus. Com base em ingredientes frescos do mar e da terra, a comida caiçara utiliza peixes, frutos do mar, farinha de mandioca, banana-da-terra e temperos nativos. Essa culinária não é apenas uma fonte de sustento, mas uma expressão cultural que reflete o modo de vida simples e conectado com a natureza das comunidades litorâneas. A preservação e a valorização dessa tradição gastronômica são essenciais para manter viva a história e a identidade local.
- Artesanato, em Anchieta, é um reflexo vivo da rica diversidade cultural da cidade. As peças, muitas vezes feitas com matérias-primas locais como fibra de bananeira, escamas de peixe, palha de milho e conchas, contam histórias das tradições indígenas, da herança portuguesa e italiana e do legado afro-brasileiro. Cada objeto é uma obra de arte que carrega a identidade de seu criador e a alma da comunidade, celebrando a fé, o cotidiano e a natureza exuberante da região. O artesanato local não é apenas um produto, mas uma expressão de resistência cultural, transmitida de geração em geração, que ajuda a preservar a memória e a identidade de Anchieta.
- Teatro, esta expressão artística atinge no município de Anchieta uma dimensão sem paralelo no país. Graças à profunda conexão com o Padre José de Anchieta, considerado o pai do teatro brasileiro, 75% de sua produção teatral está ligada ao Espírito Santo e ao município que leva seu nome. Complementado pela atuação do Grupo Rerigtiba, essa expressão artística atinge uma dimensão sem paralelo no país. Dessa forma, Anchieta se firma como um verdadeiro polo de referência para o teatro nacional, unindo o legado histórico de seu patrono com a força e a vitalidade de um grupo que mantém essa rica tradição cultural viva.
- Os diversos grupos existentes, não são apenas entretenimento; eles são os guardiões vivos da memória coletiva e da identidade local, transmitindo tradições de geração para geração, dos quais são exemplos:
- Grupo Folclórico Jaraguá;
- Grupo Folclórico Nona Adélia;
- Grupo Folclórico de Folia de Reis da Praça de São Pedro;
- Grupo Folclórico do Divino Espírito Santo;
- Banda de Jongo Sol e Lua;
- Banda de Jongo de São Mateus;
- Grupo de Jongo Tambores Mirins;
- Grupo Tambores de São Mateus;
- Grupos de Capoeiras;
- Grupo Maculelê;
- Feijoada de São Jorge (coletivo Guerreiros Valentes)
- Dança do Café;
- Passos dos imigrantes;
- Cantores e Grupos de música
- Passos dos Quilombolas;
- Procissão Marítima (ligada à devoção São Pedro);
- Fincada do Mastro (ligada a devoção a São Benedito)
CONCLUSÃO E APELO
Anchieta não pode mais ignorar seu passado e, crucialmente, deve planejar seu futuro para além da dependência das indústrias pesadas. A criação da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico é o passo inicial e estratégico para a construção de um futuro onde nossa identidade seja não apenas valorizada, protegida e celebrada , mas também um pilar para um novo ciclo de desenvolvimento econômico sustentável.
É um investimento direto no turismo cultural , na educação patrimonial e, acima de tudo, na autoestima e no empoderamento de nosso povo. Acreditamos que a gestão pública tem a responsabilidade de ser a guardiã de nossa herança e a promotora de novas oportunidades.
A criação da Secretaria é um ato de justiça histórica e um compromisso com as futuras gerações, mas é também uma decisão de visão administrativa e econômica. Diante do iminente impacto na distribuição de royalties e impostos previsto para 2033, que afetará diretamente a economia local, a cultura surge como o caminho mais resiliente e autêntico para a diversificação econômica.
Uma Secretaria robusta e dedicada terá o peso institucional necessário para atrair, otimizar e gerenciar a captação de recursos federais e estaduais, acessando programas de fomento que hoje são subutilizados. Ela será o órgão catalisador para apoiar entidades coletivas e individuais, capacitando e fomentando o trabalho dos nossos agentes e fazedores de cultura, transformando o potencial criativo local em geração de emprego e renda de forma estruturada.
Convocamos todos os vereadores e o prefeito a abraçarem esta causa com a urgência que ela demanda. Aprovar a criação da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico é transformar Anchieta em uma cidade onde a cultura e a história não são apenas lembranças, mas os pilares do desenvolvimento social e econômico do presente e do futuro.
Para que esta solicitação ecoe com a força de toda a nossa comunidade, convidamos os agentes culturais, artistas, mestres, coletivos, entidades e todos os cidadãos que compartilham deste ideal a subscreverem este manifesto. Juntos, mostraremos ao poder público que a criação da Secretaria de Cultura e Patrimônio Histórico não é apenas um pedido, mas uma demanda legítima e unificada de todo o povo anchietense.
Pelo Patrimônio Histórico,
Pela Cultura,
Pela Identidade de Anchieta!
Anchieta, ES, 15 de Agosto de 2025.