Pesquisadores brasileiros e internacionais realizaram um estudo detalhado sobre a evolução dos manguezais no delta do Rio Doce, Espírito Santo, durante o Holoceno tardio. A pesquisa, publicada na revista científica Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, investiga como os manguezais responderam às mudanças do nível do mar e às dinâmicas fluviais ao longo de 2.660 anos.
Principais Descobertas
- Fases de Sucessão dos Manguezais: O estudo identificou três fases distintas:
- Fase 1 (~2660-2050 anos atrás): Presença de um misto de espécies de mangue (Laguncularia, Rhizophora e Avicennia) em bancos de areia e lama.
- Fase 2 (~2050-900 anos atrás): Domínio de Laguncularia em planícies de maré, sugerindo condições menos salinas.
- Fase 3 (900 anos atrás até hoje): Expansão de Laguncularia no interior e estabelecimento de Rhizophora e Avicennia na foz do rio.
- Resiliência Ecológica: Apesar das flutuações do nível do mar e mudanças no fluxo sedimentar, os manguezais demonstraram grande capacidade de adaptação, com variações na composição florística ao longo do tempo.
- Metodologia Multidisciplinar: A equipe utilizou análises de pólen, geoquímica isotópica (δ13C e δ15N), sedimentologia e datação por radiocarbono para reconstruir o ambiente paleogeográfico.
- Impactos no Ecossistema: As mudanças na salinidade e no tipo de sedimento influenciaram a distribuição das espécies. A Laguncularia, por exemplo, mostrou-se mais resiliente a condições adversas, como variações de salinidade.
Implicações e Relevância
O estudo destaca a importância dos manguezais como indicadores de mudanças climáticas e ambientais, além de reforçar sua resiliência a eventos naturais e impactos humanos. A pesquisa também oferece insights valiosos para a conservação desses ecossistemas, especialmente em áreas vulneráveis às mudanças climáticas.
A investigação, financiada por instituições como FAPESP, CAPES e CNPq, contribui para a compreensão global das dinâmicas costeiras e dos serviços ecossistêmicos proporcionados pelos manguezais.



